Como a guerra no Irã está espalhando caos no mundo?Aumento nos preços dos combustíveis e energia por causa do fechamento do Estreito de Ormuz tem provocado protestos e tumultos em muitos países. Crédito: Carolina Marins (roteiro), Ariel Liborio (edição), Vitória Schmitz (produção) e Felipe Pedro (fotografia)Israel realizou novos ataques em Teerã após o colapso do cessar-fogo com o Irã, que prometeu retaliação. A escalada começou após o Irã lançar mísseis contra Israel, em resposta a bombardeios israelenses no Líbano. As tensões afetam infraestruturas estratégicas e a aviação civil na região. Donald Trump pressiona por uma trégua, mas os confrontos continuam, aumentando o risco de um conflito mais amplo no Oriente Médio, envolvendo aliados do Irã como Hezbollah e houthis.Novos ataques israelenses atingiram Teerã nesta segunda-feira, 8, elevando a tensão entre Israel e Irã após o colapso do cessar-fogo firmado em abril. Enquanto Teerã promete responder às ofensivas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender uma trégua imediata e afirmou que negociações para encerrar o conflito seguem em andamento.PUBLICIDADEA escalada ocorre após a troca de ataques registrada no domingo, quando o Irã lançou mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início da trégua. Teerã afirmou que a ofensiva foi uma resposta ao bombardeio israelense contra os subúrbios ao sul de Beirute, área de influência do Hezbollah. O episódio colocou sob pressão os esforços diplomáticos para preservar o cessar-fogo e reabriu uma frente de confronto direto entre os dois países.Um homem observa os escombros após os ataques aéreos israelenses Foto: KAWNAT HAJU/ AFPNa madrugada desta segunda-feira, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) anunciaram ataques contra alvos militares no oeste e no centro do Irã. Horas depois, os militares israelenses informaram ter realizado bombardeios em larga escala contra sistemas estratégicos de defesa aérea em Teerã, afirmando que a operação teve como objetivo enfraquecer capacidades militares que vinham sendo recompostas pelo regime iraniano.PublicidadeA tensão também atingiu infraestruturas consideradas estratégicas para os dois países. Israel confirmou ataques contra um complexo petroquímico na região de Mahshahr, na província iraniana de Khuzistão, enquanto a Guarda Revolucionária afirmou ter atingido uma instalação petroquímica em território israelense. Os episódios ampliam as preocupações sobre possíveis impactos nos setores de energia e transporte da região.Autoridades iranianas também indicaram que novas retaliações poderão ocorrer caso os bombardeios continuem. A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado ataques contra as bases aéreas israelenses de Nevatim e Tel Nof em resposta às ações militares conduzidas por Israel.O agravamento do conflito já produz reflexos na aviação civil regional. O Irã suspendeu as operações dos aeroportos Imam Khomeini e Mehrabad, os principais de Teerã, além de interromper atividades em terminais do oeste do país e cancelar voos em Mashhad, a segunda maior cidade iraniana.PublicidadeEm Israel, o governo avalia possíveis restrições ao espaço aéreo e medidas adicionais de segurança no Aeroporto Ben Gurion, principal terminal internacional do país. As autoridades afirmam que monitoram a evolução do conflito antes de decidir sobre eventuais alterações nas operações.Diante da rápida deterioração do cenário, Trump voltou a pressionar por um cessar-fogo. Em publicação na Truth Social, o presidente americano afirmou que Israel e Irã devem interromper imediatamente os ataques. Em outra mensagem, disse acreditar que os dois países buscam uma trégua e que as negociações para um acordo de paz continuam avançando.“O bloqueio permanecerá em vigor, com toda a sua força e efeito, até que um acordo final seja alcançado. As coisas devem avançar rapidamente”, escreveu o presidente.Antes da resposta israelense aos ataques iranianos de domingo, Trump também havia demonstrado preocupação com uma possível escalada. Em entrevista ao site Axios, afirmou que pretendia conversar com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, para evitar ações que pudessem comprometer as negociações em curso.PublicidadePUBLICIDADE