Ofensiva atingiu dois reservatórios no sul iraniano em meio a impasse nas negociações; presidente americano afirma que pode ampliar ofensiva e não descarta novos bombardeios O presidente dos EUA, Donald Trump, fotografado a bordo do Air Force One — Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 14:14 Ataques dos EUA ao Irã Agravam Crise Hídrica em Hormozgan Os ataques dos EUA ao Irã deixaram quase 20 mil pessoas sem água, após a destruição de dois reservatórios na província de Hormozgan. Donald Trump alertou que o Irã pagará por "demorar demais" nas negociações de paz, sugerindo novos bombardeios. Os ataques ocorrem em meio a uma seca severa no Irã, onde o estresse hídrico já é extremamente alto. O Irã retalia e critica os EUA por violar o cessar-fogo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quase 20 mil pessoas ficaram sem acesso à água potável no Irã após ataques dos Estados Unidos contra o país na terça-feira. O bombardeio, segundo autoridades locais, destruiu dois reservatórios de concreto na província de Hormozgan, interrompendo o fornecimento de água para moradores da região e de outras dez aldeias vizinhas. Em mais um sinal de escalada, horas depois da operação, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que a República Islâmica está demorando “tempo demais” para negociar um acordo e que agora terá de “pagar o preço”. Na sequência, em declarações à imprensa no Salão Oval, disse que Washington pode retomar ataques contra infraestrutura crítica iraniana ainda hoje: — Nós os atingimos com força ontem. Vamos atingi-los novamente com força hoje, caso você não tenha percebido, caso não ligue a televisão, e veremos o que acontece com o acordo — disse Trump nesta quarta-feira, sugerindo que a derrubada de um helicóptero Apache americano serve de justificativa para a retomada dos bombardeios: — Com base no helicóptero, acho que temos o direito de fazer isso. Os ataques protagonizados pelos EUA e pelo Irã foram alguns dos mais intensos desde o início da trégua, em 8 de abril. Depois de uma série de escaladas menores, forças americanas atacaram a República Islâmica em resposta à queda do helicóptero Apache, supostamente derrubado por forças iranianas na terça-feira (noite de segunda-feira em Brasília). Embora uma investigação dos EUA sobre as causas do incidente ainda não tenha sido concluída, Trump rapidamente responsabilizou o Irã: “Acabo de ser informado por nossos grandes militares que, na noite passada, os iranianos derrubaram um de nossos helicópteros Apache altamente sofisticados enquanto patrulhava o Estreito de Ormuz. Havia dois pilotos a bordo, ambos estão seguros e sem ferimentos”, escreveu Trump nas redes sociais, acrescentando: “No entanto, os Estados Unidos precisam, necessariamente, responder a este ataque”. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que os bombardeios americanos, que atingiram alvos em Sirik, Jask, Minab, a Ilha de Qeshm e o porto de Bandar Abbas, causaram grandes danos a uma torre de telecomunicações e destruíram dois reservatórios de água. Em resposta, as forças iranianas atacaram bases militares dos EUA em Bahrein, Kuwait e Jordânia. Período de escassez A agência iraniana WANA afirmou que os reservatórios atingidos estavam localizados no distrito de Bamani, no condado de Sirik, a cerca de mil quilômetros de Teerã. Segundo a agência, os prejuízos iniciais foram estimados entre US$ 780 mil e US$ 830 mil. Abdolhamid Hamzehpour, diretor-executivo da companhia de abastecimento de água de Hormozgan, disse que os dois reservatórios tinham capacidade combinada de 2,5 milhões de litros. Os ataques foram especialmente significativos porque ocorreram em um momento de forte escassez hídrica no Irã. O país já enfrentava uma seca prolongada antes mesmo do início da guerra atual. Após anos de práticas agrícolas inadequadas e má gestão dos recursos hídricos, as principais fontes de água do país continuam secando, publicou a al-Jazeera. Segundo dados do Instituto Mundial de Recursos (WRI, em inglês), o estresse hídrico iraniano é classificado como “extremamente alto”, o que significa que mais de 80% dos recursos hídricos renováveis do país são consumidos anualmente. Em novembro de 2025, a crise hídrica era tão grave no país que a represa Amir Kabir, próxima a Teerã, operava com apenas 8% de sua capacidade. Ao todo, 19 barragens já haviam secado. O porta-voz da indústria de água do Irã, Isa Bozorgzadeh, classificou o ataque como um crime de guerra. Pelo direito internacional humanitário, instalações de abastecimento de água são consideradas infraestrutura civil e não constituem alvos militares legítimos. As Regras de Berlim sobre Recursos Hídricos, adotadas em 2004 pela Associação de Direito Internacional, proíbem a destruição de instalações de água quando isso provocar sofrimento desproporcional à população civil. Mudança de narrativa Desde a trégua mediada pelo Paquistão em abril, Washington e Teerã vêm tentando negociar um acordo mais amplo para encerrar o conflito, mas continuam divididos em questões centrais. Entre os principais pontos de impasse estão o futuro do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás, o programa nuclear iraniano e a liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados. Mais cedo nesta quarta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que Teerã estava “reavaliando” as negociações com Washington após os ataques americanos. Ele acusou os EUA e Israel de promoverem “violações repetidas do cessar-fogo” e disse que a diplomacia não pode ocorrer “no vazio”. — Infelizmente, os Estados Unidos estão minando esse processo por meio de mensagens contraditórias, mudanças frequentes de posição e de exigências, além de repetidas violações do cessar-fogo — afirmou, em referência às mudanças de postura de Trump. No início da semana, o americano afirmou a jornalistas que um acordo poderia estar a “dois ou três dias” de distância. Segundo contagem da CNN, Trump insistiu ao menos 38 vezes que uma trégua com a República Islâmica estava próxima. Na terça, o republicano chegou a demonstrar relutância em retomar as hostilidades com Teerã, em parte porque isso significaria a continuidade do fechamento de Ormuz “por meses”. — Se começarmos os bombardeios, muitas pessoas vão morrer. Quem quer fazer isso? Eu não — disse ele na manhã de terça. Já nesta quarta, Trump afirmou que tudo o que o Irã precisa fazer para chegar a um acordo com Washington é “começar a assinar um papel”. Mais cedo, uma delegação do Catar chegou a Teerã para tentar aproximar as posições dos dois lados. Autoridades americanas disseram à CNN que acreditam que os ataques recentes não comprometerão as conversas. — Tudo o que eles precisam fazer é começar a assinar um papel. Está tudo totalmente negociado — disse Trump no Salão Oval. — Temos um acordo totalmente negociado, mas eles ficam enrolando, enrolando, e dizem: ‘Tudo bem, vamos dar mais alguns dias a eles’. Eles estão enrolando porque é um documento importante Em atualização.
Irã diz que ataques dos EUA deixaram 20 mil sem água, enquanto Trump alerta que país pagará preço por ‘demorar demais’ a negociar
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