Os EUA e o Irã chegaram a um acordo de paz neste domingo (14), incluindo o fim das operações militares e a reabertura do Estreito de Ormuz, oferecendo um alívio à economia global após mais de três meses de combates que interromperam a via por onde antes passavam 20% do fluxo global de petróleo e gás. O Paquistão, principal mediador, afirmou que o acordo será assinado nesta sexta-feira (19), na Suíça. Questões cruciais, como o programa nuclear iraniano, deverão ser abordadas posteriormente. “Parabéns a todos!”, escreveu Trump nas redes sociais, acrescentando: “Por meio deste, autorizo integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos EUA.” Em outra postagem, ele declarou que “este Grande Acordo trará paz e segurança para toda a região”, bem distante da promessa feita no início do conflito de que não aceitaria nada menos do que a “rendição incondicional” de Teerã. “É um acordo muito fraco para os EUA, considerando quais eram os objetivos declarados inicialmente”, disse Dan Shapiro, ex-alto funcionário americano ao Financial Times. “Ele tenta, em grande parte, reabrir o estreito, que definitivamente se tornou a questão mais importante. Mas isso apenas demonstra o quanto o Irã tinha poder de barganha para persuadir Trump de que era melhor encerrar essa guerra, mesmo em termos fracos, do que continuá-la.” Centenas de navios ficaram presos em ambos os lados do Estreito de Ormuz, causando turbulências no mercado global de energia, fertilizantes, chips e alumínio, entre outros insumos cruciais para a indústria moderna. O petróleo reagiu a notícia com forte queda na abertura do pregão eletrônico na Ásia, com o tipo Brent — referência internacional — recuando mais de 3%, para abaixo de US$ 84 o barril. O dólar se desvalorizou em relação às principais moedas do G10 no início do pregão asiático, com o euro subindo 0,3% em relação ao dólar, e o dólar australiano avançando cerca de 0,5%. Os detalhes do acordo não foram divulgados imediatamente, mas os contornos gerais já circulavam há dias. Os EUA e o Irã encerrarão seus bloqueios no Estreito de Ormuz, uma das vias navegáveis mais movimentadas do mundo. Concordaram em não atacar um ao outro e em iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. O Irã receberá alívio das sanções que visam suas vendas de petróleo para o exterior. Embora ambos os lados tenham reivindicado a vitória, permanecem profundamente desconfiados um do outro e persistem sérias dúvidas sobre sua capacidade de chegarem a um acordo mais amplo. Também permanece incerto a posição de Israel, onde o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu colocou em risco a assinatura do acordo no último minuto com novos ataques ao Líbano. Trata-se, obviamente, de uma boa notícia para os mercados de energia, mas há muitas pontas soltas, que abrem espaço para novos desacordos e confrontos. De fato, as tensões já ressurgiram. Teerã classificou o “acordo” de um “memorando de entendimento” e que o anúncio não significa que haja “confiança no inimigo”, os EUA. O vice-ministro de Relações Exteriores do Irã afirmou que as forças iranianas irão “manter o dedo no gatilho” e que Teerã tomará suas próprias medidas em caso de descumprimento pela outra parte. Ele afirmou que as negociações para um acordo final serão realizadas durante um período de 60 dias, que terão como foco a suspensão das sanções econômicas contra o Irã. Até mesmo o status de Ormuz está longe de ser claro. Embora os EUA e o Irã tenham se comprometido a suspender seus bloqueios, Teerã informou que irá regular o tráfego na via marítima em coordenação com Omã. A disposição e a capacidade do Irã de bloquear o estreito por meses quebraram um tabu de décadas, aumentando a possibilidade de que o país possa fazê-lo novamente — ou ameaçar fazê-lo — sempre que buscar exercer influência sobre seus vizinhos ou adversários do Golfo. Essa mudança por si só pode ter consequências duradouras. A interrupção prolongada do ponto de estrangulamento energético mais crítico do mundo quase certamente tornará as companhias marítimas, compradores e produtores mais cautelosos, mesmo depois que o fluxo for retomado.
EUA e Irã alcançam acordo para encerrar guerra e reabrir Ormuz
Mas as narrativas seguem divergentes, com o presidente Trump e Teerã declarando vitória










