PUBLICIDADE Texto prevê reabertura do Estreito de Ormuz e trégua de 60 dias, mas pontos centrais da guerra foram deixados para negociações futuras 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Homem passa por painel com imagens do aiatolá Ali Khamenei e de seu filho, Mojtaba Khamenei, nos subúrbios ao sul de Beirute; Hezbollah agradeceu ao Irã por incluir o Líbano no acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio — Foto: Anwar Amro/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/06/2026 - 12:03 EUA e Irã anunciam entendimento para reabrir Estreito de Ormuz Os EUA e o Irã anunciaram um entendimento para cessar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, mas divergências persistem, mantendo o status de memorando e não de acordo formal. O plano, que inclui uma trégua de 60 dias, deixa temas nucleares e econômicos para futuras negociações. Questões como o programa nuclear iraniano e sanções econômicas permanecem sem solução, refletindo a complexidade e fragilidade do entendimento atual. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os Estados Unidos e o Irã anunciaram no domingo um entendimento para interromper a guerra iniciada em fevereiro e reabrir o Estreito de Ormuz, mas divergências entre as partes evidenciam que o mecanismo ainda não é definitivo. Enquanto o presidente americano, Donald Trump, afirmou que um acordo foi alcançado, o Conselho de Segurança Nacional iraniano descreveu a medida como um “memorando de entendimento”. Detalhes completos sobre o tratado permanecem sob sigilo e, segundo ambos os governos, ele servirá como base para uma nova rodada de negociações sobre temas mais sensíveis. A diferença entre o que cada lado descreve como tendo sido alcançado ajuda a explicar por que o entendimento ainda é visto como uma etapa intermediária. Mesmo dentro da administração americana há divergências. Nesta segunda-feira, o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que o acordo foi assinado eletronicamente no domingo, sugerindo que seus termos já estão em vigor. Trump, por sua vez, disse que uma assinatura formal ocorrerá na Suíça na sexta, e que pelo menos uma das cláusulas envolvendo a reabertura do estreito não entrará em vigor até lá. Autoridades iranianas também afirmaram que os compromissos assumidos pelas partes começarão efetivamente na sexta-feira, quando o documento deverá ser formalizado. A partir daí, entrará em vigor um cessar-fogo de pelo menos 60 dias destinado a criar condições para negociações técnicas sobre os temas que continuam sem solução. Questões pendentes Entre as questões pendentes estão o programa nuclear iraniano, que esteve no centro das tensões que antecederam a guerra. Deverão ser discutidas posteriormente questões como a duração de eventuais restrições ao enriquecimento de urânio; o destino dos estoques já acumulados pelo Irã — um dos pontos mais delicados —; o futuro das instalações nucleares do país e os mecanismos de inspeção. Autoridades americanas vêm insistindo que Teerã precisa reduzir seus estoques de material enriquecido, hoje em níveis próximos aos necessários para a produção de uma arma nuclear. O governo iraniano, por sua vez, sustenta que não pretende desenvolver armamentos atômicos e tem defendido que qualquer solução para o estoque atual ocorra dentro do próprio país. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou que as “questões nucleares” serão tratadas apenas na próxima rodada de negociações. Também permanecem indefinidas as discussões sobre sanções econômicas, com o Irã exigindo a liberação de recursos congelados no exterior como parte de qualquer entendimento mais amplo. Veículos de imprensa ligados ao governo iraniano afirmaram que o texto prevê a liberação de até US$ 24 bilhões em ativos atualmente bloqueados, com parte do montante sendo liberada antes do início das negociações. Nesta segunda, porém,Vance afirmou que nenhum recurso foi liberado e que isso “não vai mudar”. Um alto funcionário americano também declarou que o Irã receberá benefícios econômicos apenas à medida que cumprir uma série de exigências estabelecidas pelos Estados Unidos. A Casa Branca tem insistido que a assinatura do memorando não resultará automaticamente em qualquer transferência de recursos para Teerã. As divergências aparecem ainda na questão do Estreito de Ormuz, cujo fechamento durante a guerra interrompeu uma das principais rotas energéticas do mundo. Em tempos de paz, cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural liquefeito comercializados globalmente passavam pela via marítima. Segundo o entendimento anunciado, o Irã removerá minas instaladas no estreito e permitirá novamente a navegação comercial, enquanto os Estados Unidos iniciarão o desmantelamento do bloqueio naval imposto aos portos iranianos. Mesmo nesse tema, porém, persistem diferenças de interpretação. Trump afirmou que o estreito será permanentemente livre de pedágios. Já agências estatais iranianas relataram que um adendo ao acordo permitiria a cobrança futura de taxas relacionadas a serviços marítimos. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, reconheceu que a cobrança direta de pedágios seria incompatível com o direito internacional, mas afirmou que o país pretende cobrar por serviços de navegação, segurança e apoio marítimo em cooperação com Omã. Alcance regional Outra área cercada de incertezas envolve o alcance regional do entendimento. O governo paquistanês e autoridades iranianas afirmaram que o cessar-fogo abrange todas as frentes do conflito, incluindo o Líbano, mas nem Israel e nem o Hezbollah participaram diretamente das negociações. Nesta segunda, autoridades israelenses já rejeitaram a possibilidade de qualquer limitação às operações militares contra o grupo libanês apoiado pelo Irã, e um ataque contra o sul do país matou ao menos uma pessoa. Tampouco está claro se futuras negociações abordarão outras preocupações centrais para Israel e para parte dos aliados dos EUA, como o programa de mísseis balísticos iraniano e o apoio de Teerã a grupos armados da região. Veículos estatais iranianos afirmaram que esses temas foram explicitamente retirados da pauta das negociações, mas não houve confirmação pública por parte de Washington. (Com Bloomberg, AFP e New York Times)