Washington e Teerã chegaram a entendimento na noite de domingo que prevê a reabertura de Ormuz; assinatura será realizada na sexta-feira, em Genebra Uma família passeia de motocicleta ao lado de uma faixa com os dizeres `Obrigado, Irã`, após um acordo entre os EUA e o Irã , nos subúrbios do sul de Beirute, Líbano, em 15 de junho de 2026. — Foto: REUTERS/Mohamed Azakir Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz na noite de domingo, encerrando quase quatro meses de guerra no Oriente Médio. O conflito ocasionou a morte de milhares de pessoas e provocou o fechamento do Estreito de Ormuz — rota por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural produzidos diariamente no mundo antes da guerra — e, por conseguinte, desencadeou um choque global nos preços dos combustíveis. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que ambos os lados declararam um fim imediato e permanente de todas as operações militares. Além disso, todas as partes disseram que o memorando de entendimento para o fim da guerra será assinado na Suíça nesta sexta-feira (19). O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que o memorando será então publicado.Washington e Teerã disseram que Ormuz começará a ser reaberto e que o bloqueio dos EUA aos portos iranianos começará a ser suspenso assim que o memorando for assinado. Ambos os lados disseram que as negociações sobre áreas de disputa mais difíceis, sobretudo a questão nuclear iraniana e as sanções dos EUA ao Irã, serão conduzidas ao longo dos 60 dias seguintes. O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que o estreito será reaberto na sexta-feira e garantiu que ordenou a suspensão do bloqueio aos portos iranianos. Uma alta autoridade iraniana, por sua vez, afirmou que a hidrovia será reaberta "a todos os navios comerciais" assim que o memorando for assinado. A agência de notícias semioficial iraniana Fars informou que, de acordo com o memorando, o tráfego marítimo pelo estreito será regulado pelo Irã em coordenação com Omã, alternativa que antes era rechaçada publicamente pelo presidente Trump. Os dois países também disseram que o Irã concordou que não produzirá nem adquirirá armas nucleares — uma promessa que Teerã vem repetindo há décadas. A alta autoridade iraniana afirmou que, até que um acordo final seja alcançado, o Irã congelará suas atividades nucleares, abstendo-se de enriquecer mais urânio ou de expandir suas instalações nucleares. A mesma autoridade disse que os EUA concordaram que a República Islâmica poderá diluir seu estoque de urânio altamente enriquecido dentro do próprio país no âmbito de um futuro acordo abrangente. Trump afirmou no sábado que não há urgência para retirar o estoque iraniano de material nuclear e que os EUA o recuperarão "quando tudo estiver calmo". O presidente americano ainda disse que haverá um regime rigoroso de inspeções sobre Teerã em qualquer acordo, mas não deu mais detalhes. O senador americano Lindsey Graham afirmou que qualquer acordo final sobre o programa nuclear iraniano terá de ser revisado e aprovado pelo Congresso. Além disso, a alta autoridade iraniana afirmou que os EUA concordaram em não impor novas sanções ao Irã até que um acordo final seja alcançado. A autoridade acrescentou que os EUA suspenderão as sanções ao petróleo iraniano por um período determinado e que, após o acordo final, todas as sanções dos EUA e da Organização das Nações Unidas (ONU) serão retiradas segundo um cronograma a ser acordado. Também foi dito que Washington concordou em liberar US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados, inclusive por meio de transferências diretas em dinheiro, cooperação entre países da região e linhas de crédito financeiras. A iniciativa seria feita em coordenação com seus aliados regionais, preparará um plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã, que será negociado e acordado com Teerã dentro de 60 dias, acrescentou a autoridade.Trump, por sua vez, afirmou que o Irã não receberá dinheiro em espécie, mas que as sanções poderão ser suspensas. Sharif disse que o fim imediato e permanente de todas as operações militares também incluirá o Líbano. A Secretaria do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que as operações militares serão encerradas permanentemente na noite de segunda-feira, inclusive no Líbano. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que deve haver uma interrupção completa dos ataques israelenses contra o Líbano e que os EUA têm a responsabilidade de implementar o acordo-quadro. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que as Forças Armadas israelenses permanecerão nas zonas de segurança que capturaram no Líbano, na Síria e em Gaza, e que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deixou isso claro a Trump. Antes do anúncio do memorando, Trump disse que traria paz à região, incluindo ao Líbano. Ele afirmou que não deveria haver mais ataques israelenses ao Líbano nem novos ataques do Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã, contra Israel.
Veja com o que EUA e Irã dizem ter concordado no memorando para encerrar a guerra
Washington e Teerã chegaram a entendimento na noite de domingo que prevê a reabertura de Ormuz; assinatura será realizada na sexta-feira, em Genebra











