O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, apresentou, na sexta-feira 12, um abrangente pacote de reformas liberalizantes intitulado Programa Econômico e Social para 2026. Trata-se de mais uma iniciativa para tentar driblar o implacável bloqueio imposto pela Casa Branca desde o fim de 2025. O torniquete sufoca atividades essenciais nas áreas de saúde e educação e derruba o ânimo da população. Nas últimas semanas, até mesmo o envio de dinheiro por parte de emigrados tornou-se quase impossível: o Departamento de Estado norte-americano impede o acesso de residentes a bancos internacionais e forçou a saída de operadoras de cartões, como Visa e Mastercard, afetando o que resta do combalido setor de turismo.

O pacote oficial toca em pontos anteriormente considerados tabus pelo governo. Acaba com o planejamento central em decisões econômicas e autoriza os municípios a realizar autonomamente operações de comércio exterior e a tomar decisões empresariais sem autorização de Havana. Há um incentivo forte ao investimento externo, facilitando a criação de empresas privadas urbanas e rurais com um mínimo de burocracia, além de permitir a abertura de contas bancárias em moeda estrangeira. Na máquina estatal planejam-se cortes em ministérios, o que inclui a redução do número de cargos e benefícios. Nas estatais haverá autonomia para decisões de investimento e demissão de funcionários. Díaz-Canel não abdica, no entanto, da emulação revolucionária no discurso em que anunciou as reformas. “Eles não percebem que existe um povo disposto, em sua maioria, a não se render, a não ser humilhado, a não perder o que pode ser melhorado”, afirmou.