Plano prevê 176 medidas, incluindo abertura de setores estratégicos ao investimento privado e estrangeiro, em meio à pressão dos EUA sobre a ilha 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pessoas caminham em frente a uma empresa comercial estatal em Havana, em 18 de junho de 2026 — Foto: YAMIL LAGE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 18:19 Cuba Lança Amplas Reformas Pró-Mercado em Meio a Crise Econômica Cuba anunciou seu maior pacote de reformas pró-mercado desde 1959, em resposta à crise econômica agravada por pressões dos EUA. O plano inclui 176 medidas que abrem setores estratégicos ao investimento privado e estrangeiro. As reformas visam transformar empresas estatais, permitir mais de 100 funcionários em empresas privadas, abrir contas em moeda estrangeira e introduzir IVA. O anúncio ocorre em meio ao bloqueio de petróleo por Washington. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O primeiro-ministro de Cuba, Manuel Marrero, apresentou nesta quinta-feira ao Parlamento um amplo programa de reformas orientadas para o livre mercado, em um momento em que a ilha comunista enfrenta uma profunda crise econômica sob pressão de Washington. O alto funcionário detalhou 176 propostas de reformas que ainda precisam ser aprovadas pelos deputados da Assembleia Nacional e que abrangem numerosos setores da economia. As propostas chegam um dia após o ex-presidente cubano, Raúl Castro, de 95 anos, endossar publicamente o pacote de reformas durante uma reunião extraordinária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba (PCC, o único partido legal). Embora não ocupe cargos oficiais, Castro segue sendo uma figura influente no regime e afirmou, em carta apresentada aos dirigentes, que transformar a economia "é o que mais beneficia a Revolução hoje". Uma mulher vestindo uma camiseta com a bandeira dos EUA vende produtos de limpeza em Havana, em 18 de junho de 2026 — Foto: YAMIL LAGE / AFP As medidas de caráter liberal afetam, em especial, a organização das empresas privadas, das estatais, o sistema bancário, o turismo, a agricultura, o investimento estrangeiro, os impostos e o mercado cambial. — Mais do que um conjunto de medidas, trata-se do programa de reforma econômica mais profundo anunciado nos últimos 70 anos da história econômica do país, desde a vitória da Revolução de 1959 — afirmou à AFP o economista cubano Daniel Torralbas, radicado em Londres. Entre as reformas anunciadas estão a transformação da “empresa estatal socialista em uma sociedade mercantil por ações ou participações”, a autorização para que empresas privadas tenham mais de 100 funcionários, a participação de capital estrangeiro no setor privado e a abertura de contas em moeda estrangeira para pessoas físicas. A agricultura, o turismo, o setor bancário e o mercado cambial passam agora a estar abertos ao investimento privado, tanto nacional quanto estrangeiro. Além disso, os cubanos poderão possuir mais de uma empresa privada e participações em outras sociedades. Até agora, o investimento estrangeiro estava limitado a empresas mistas com companhias estatais. Também foi anunciada uma reforma tributária com a introdução de um imposto sobre valor agregado (IVA), e será permitida a negociação salarial dentro das empresas. Uma loja de produtos de higiene pessoal é vista ao longo de uma rua de Havana, em 18 de junho de 2026 — Foto: YAMIL LAGE / AFP Por enquanto, as autoridades não divulgaram um cronograma para a entrada em vigor das medidas. Os anúncios ocorrem em um contexto no qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplica uma política de pressão máxima sobre a ilha, submetida há quase cinco meses a um bloqueio de petróleo de fato. Washington, que mantém um embargo contra Cuba desde 1962, não esconde o desejo de que ocorra uma mudança no modelo econômico — e até mesmo no regime político — da ilha localizada a cerca de 150 quilômetros da costa da Flórida. Após anos negando a magnitude do problema, o governo cubano parece compelido a agir diante da deterioração econômica, da pressão social e do crescente isolamento internacional, que limitam cada vez mais sua margem de manobra. O embargo de petróleo imposto por Trump em janeiro levou a economia cubana, já fragilizada, à beira do colapso, marcada por apagões que agora ultrapassam 30 horas e escassez de alimentos, combustível, água potável e medicamentos.