Medidas incluem a abertura ao desenvolvimento imobiliário privado, transformação de empresas estatais em empreendimentos com participação acionária e entrada de bancos privados Várias pessoas empurram um carro clássico quebrado ao lado de um monte de lixo em Havana, Cuba, na quarta-feira, 17 de junho de 2026 — Foto: AP Foto/Jorge Luis Banos O primeiro-ministro de Cuba, Manuel Marrero Cruz, apresentou nesta quinta-feira ao Parlamento um pacote abrangente de medidas apoiadas pelo Partido Comunista e pelo ex-líder Raúl Castro, que preveem uma ampla abertura e privatização parcial da economia socialista do país, em meio à pressão das sanções impostas pelos Estados Unidos. As propostas, ainda sujeitas à aprovação da Assembleia Nacional, incluem a abertura ao desenvolvimento imobiliário privado, a transformação de empresas estatais em empreendimentos com participação acionária e a entrada de bancos privados em um setor financeiro historicamente controlado pelo Estado, segundo a Reuters. Um resumo das reformas divulgado pela Associated Press aponta para uma descentralização significativa da economia e redução do papel do Estado. Os municípios passariam a ter maior autonomia para aprovar empresas, conduzir operações de comércio exterior e administrar receitas em moeda estrangeira. Também está em discussão a redução do número de ministérios. As cerca de 2 mil empresas estatais teriam maior liberdade para definir salários, utilizar lucros, realizar operações de importação e exportação e firmar parcerias com empresas privadas e cooperativas. No comércio exterior, seria eliminada a exigência de intermediação estatal para operações de importação e exportação feitas por empresas privadas. O governo também pretende acelerar a aprovação de pequenas e médias empresas (PMEs), ampliar a participação de investimentos estrangeiros e permitir que cubanos residentes no país e no exterior invistam na economia. As medidas incluem ainda a redução gradual de subsídios, inclusive para alimentos, que passariam a ser vendidos a preços de mercado, além da ampliação do acesso dos agricultores a insumos, ao mercado de câmbio e a investimentos estrangeiros no setor agropecuário. Depois das dificuldades causadas pela pandemia de Covid-19, que afetou o turismo, principal atividade econômica da ilha, Cuba enfrenta agora uma crise econômica e energética prolongada, marcada por apagões frequentes em diversas regiões do país. A crise foi precipitada pela decisão dos EUA de intensificar a pressão econômica sobre Cuba, implementando um bloqueio naval e energético efetivo com o objetivo de paralisar as importações de petróleo da ilha e forçar uma mudança de regime. A crise envolve o envio de navios de guerra às proximidades da ilha e embargos comerciais que restringiram fortemente o acesso a bens essenciais. Autoridades dos EUA também indiciaram em maio o ex-líder Raúl Castro por homicídio, em conexão com a derrubada de uma pequena aeronave americana pilotada por ativistas anti-Castro nos anos 1990.