O Parlamento cubano aprovou nesta quinta-feira (18), por unanimidade, em uma reunião extraordinária, um amplo programa de reformas em favor do livre mercado, uma mudança inédita para a ilha comunista mergulhada em uma profunda crise econômica, sob pressão de Washington.
Mais de 400 deputados da Assembleia Nacional do Poder Popular foram chamados a se pronunciar sobre 176 propostas que abrangem numerosos setores da economia, apresentadas horas antes pelo primeiro-ministro, Manuel Marrero, e anunciadas pelo líder cubano Miguel Díaz-Canel.
As reformas já contavam com o aval da cúpula do Partido Comunista (único) e do ex-líder cubano Raúl Castro, de 95 anos e ainda influente na vida política do país.As mudanças, votadas com o braço erguido, incluem a organização das empresas privadas e estatais, o sistema bancário, o turismo, a agricultura, o investimento estrangeiro, os impostos, os salários e o mercado cambial.
"Trata-se do programa de reforma econômica mais profundo já anunciado nos últimos 70 anos da história econômica do país, desde a vitória da Revolução de 1959", declarou o economista cubano Daniel Torralbas, radicado em Londres.
Três anos após a revolução liderada por Fidel Castro em 1959, as grandes empresas privadas, cubanas ou estrangeiras, foram nacionalizadas, seguidas pelos pequenos comércios e negócios familiares em 1968.Desde então, ajustes recorrentes foram realizados no dogma da economia socialista, mas sem questionar os fundamentos de um sistema amplamente planejado e centralizado.










