Um policial penal relata que um juiz fazia visitas “excessivamente frequentes” ao presídio no qual trabalhava, por vezes em “horários inadequados” e vestido de maneira informal. Segundo ele, o magistrado era “muito amigável” com os internos, a ponto de ser chamado de “pai” por alguns, e teria tentado entrar na carceragem durante a noite para entregar um baralho aos detentos. Em uma ocasião, disse ter presenciado o juiz entregar o próprio celular a um preso. A partir desse relato, outras testemunhas passaram a contar o que viram e, principalmente, o que “ouviram dizer”.

Outro agente penitenciário confirma ter visto o juiz de “bermuda e camiseta”, mas nega ter presenciado empréstimo de celular ou entrega de presentes. Um terceiro policial penal não viu coisa alguma, mas menciona relatos de que o magistrado não apenas teria levado “baralho e picolé”, mas um telefone a um preso faccionado. Um promotor de Justiça relata rumores de um plano de fuga com a participação da autoridade.

A despeito da gravidade das condutas, que poderiam indicar o envolvimento de um juiz com o crime organizado, nenhum dos episódios foi formalmente registrado nem resultou na abertura de investigação criminal. Todos os relatos só vieram à tona quando o magistrado ­Robson José dos Santos, negro, integrante da primeira turma de magistrados cotistas do Judiciário de Rondônia, virou alvo de uma sindicância por assédio moral, instaurada após denúncia anônima apresentada por uma servidora apenas dois dias antes da conclusão de seu processo de vitaliciamento.