Magistrado afirma que está assistindo a 'movimentos' de interessados no caso 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro André Mendonça, no plenário do Supremo Tribunal Federal — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 18:56 Mendonça rejeita "delação seletiva" e destaca papel do MP em acordos O ministro André Mendonça rejeitou uma proposta de "delação seletiva" apresentada por um advogado no caso envolvendo a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro. Em sessão no STF, Mendonça destacou que acordos de colaboração premiada são de competência exclusiva do Ministério Público, reiterando sua distância dessas negociações. Ele alertou sobre um "sistema" que busca viciar investigações, enquanto o ministro Gilmar Mendes criticou a participação de magistrados nesses acordos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em resposta às críticas feitas pelo ministro Gilmar Mendes sobre a condução de delações premiadas, o ministro André Mendonça afirmou nesta terça-feira ter sido procurado por um advogado com uma proposta que classificou como "delação seletiva" e disse ter rejeitado a iniciativa. A declaração foi feita durante o julgamento, na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve a prisão de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master. O magistrado também apontou a existência de "um sistema", sem ser específico, que busca a anulação das investigações. Sem identificar o advogado nem o caso ao qual se referia, Mendonça afirmou que não participa de negociações para acordos de colaboração premiada e que esse papel cabe exclusivamente ao Ministério Público. — Chegou uma proposta por um advogado. Perderam o pudor. Queriam fazer uma delação seletiva. Na minha cara. Eu disse: não faço questão de delação. Agora, delação seletiva, comigo, não — afirmou o ministro. Mendonça acrescentou que um relator não possui competência para celebrar acordos de colaboração e disse que faz questão de manter distância desse tipo de negociação. — A rigor, o relator sequer tem competência para celebrar delação. É a Procuradoria. Eu não participo. Não faço questão — declarou. O ministro também afirmou que evitou ter acesso ao conteúdo de uma proposta de colaboração apresentada por uma defesa porque entendia que isso poderia comprometer sua atuação futura no processo. — A defesa até apresentou uma primeira proposta de delação. Eu não quis acessar, ministro Gilmar. Há uma perspectiva de que certos setores atuam para criar um vício. Tudo o que querem é criar um vício. Há um sistema articulado para isso. Eu não sou cego. Estou acompanhando e assitindo os movimentos — disse. As declarações foram dadas após Gilmar Mendes afirmar que magistrados não devem participar de negociações de colaboração premiada e alertar para os riscos de acordos obtidos sob pressão. O decano do STF chegou a dizer que "juiz algum pode comportar-se como delegado de polícia" e criticou práticas que, em sua avaliação, podem comprometer a voluntariedade das delações.