PF identificou mensagens em que ele diz atuar para 'CEO' da instituição financeira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sede do Banco Master, em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 18:51 Ex-policial usava sistemas da PF para ajudar banqueiro em fraudes A Polícia Federal identificou que o ex-policial Marilson Roseno da Silva, chefe do grupo "A Turma", atuava em prol do banqueiro Daniel Vorcaro, utilizando sistemas da PF para acessar informações sigilosas. Silva, que recebia R$ 400 mil mensais, pediu ao ChatGPT auxílio para criar um currículo visando trabalhar no Banco Master com "contrainformação". A PF confirmou que ele monitorava investigações desde 2021. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Polícia Federal confirmou que o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva trabalhava para o banqueiro Daniel Vorcaro por meio de uma série de mensagens autoincriminatórias encontradas no celular dele. Entre elas, há uma conversa em que ele pede ao ChatGPT, uma ferramenta de inteligência artificial, para escrever um currículo buscando uma vaga no Banco Master e trabalhar com "contrainformação". Preso preventivamente em uma penitenciária federal desde maio, Silva é apontado como chefe do grupo chamado “A Turma”, que tinha a função de monitorar desafetos do banqueiro e conseguir informações sobre inquéritos sigilosos em curso, segundo as investigações. Em uma conversa com o ChatGPT, datada de junho de 2024, ele pede ajuda para uma "solicitação de emprego": "Banco Master trabalhar na contrainformação. "Sou ex-policial federal com atuação na área de inteligência, investigação e processamento de dados. Dentre outros", digitou. Integrante da 'Turma' de Vorcaro pede currículo ao ChatGPT — Foto: Reprodução A inteligência artificial, então, responde: "Entendido. Aqui está um exemplo de solicitação de emprego para a vaga no Banco Master na área de contrainformação". As informações constam de um relatório da PF que levantou dados sobre a atuação dos integrantes da "Turma". Conforme as apurações, Marilson recebia mensalmente R$ 400 mil para arregimentar outros agentes da PF e, assim, conseguir acesso a investigações que miravam Vorcaro e o seu banco. O dinheiro provinha do R$ 1 milhão pago por mês a Luiz Philippi Mourão, chamado de “Sicário” e também integrante da “Turma”. "Três agentes públicos da Polícia Federal (ativos e inativos), os quais sob a coordenação de Marilson Roseno da Silva e mediante recebimento de vantagem econômica utilizaram, no exercício das funções, sistemas institucionais da Polícia Federal para obter informações de pessoas e procedimentos investigativos, a pedido do líder da Orcrim (organização criminosa), Daniel Bueno Vorcaro", diz o relatório. Em mensagens a outros interlocutores, o policial aposentado também relatou que estava prestando serviços ao "CEO do Banco Master". A PF ainda interceptou uma mensagem em que ele diz a um interlocutor que o "SP Master saiu" numa provável referência a quando Vorcaro deixou a prisão preventiva pela primeira vez em novembro de 2025. "A imprensa não sabe ainda", completou Marilson. Em março do ano seguinte, o banqueiro voltou a ser detido. Em uma auditoria, a PF fez uma pesquisa para identificar quando Marilson pesquisou o nome de Vorcaro no sistema interno da corporação. E encontrou registros desde dezembro de 2021, quando o Master ainda se chamava Banco Máxima e ele ainda não havia se aposentado. "A análise conjunta dos registros de auditoria evidencia, portanto, que o, à época, Escrivão de Polícia Federal MARILSON ROSENO DA SILVA, já atuava no interesse de DANIEL BUENO VORCARO, desde no mínimo, o mês de agosto de 2021, utilizando-se do acesso funcional de policial federal da ativa para realizar consultas direcionadas em sistemas restritos da Polícia Federal, com o objetivo de obter informações privilegiadas, monitorar investigações sensíveis e resguardar interesses privados", concluiu a PF em outro relatório.