0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Daniel Vorcaro, dono do banco Master — Foto: Ana Paula Paiva/Valor RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 19:25 Ex-banqueiro tem anotações sobre reuniões sigilosas entre BC e PF reveladas pela Polícia Federal A investigação da Polícia Federal revela que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tinha anotações no celular sobre reuniões sigilosas entre o Banco Central e a PF, sugerindo sua influência junto a essas instituições. Anotações citam reunião em outubro de 2025 e envolvimento de altos funcionários do Banco Central, sob pressão por medidas contra o Banco Master. Vorcaro alegou ter amigos no Bacen que forneceram informações confiáveis. As notas foram apagadas, mas recuperadas, indicando tentativa de ocultação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os investigadores da Polícia Federal identificaram anotações feitas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro no aplicativo "Notas" de seu celular. Segundo a PF, embora alguns registros estejam soltos e muitas vezes não apresentem contexto suficiente para uma compreensão completa, eles indicam o grau de acesso e influência que o dono do Banco Master mantinha junto a servidores do Banco Central e da própria corporação. O material consta na representação da Polícia Federal que se tornou pública nesta terça-feira, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master, retirar o sigilo do processo. Continuidade da delação de Vorcaro depende dele. O ex-banqueiro nega até ter dado prejuízo ao BRB Uma das anotações cita uma reunião sigilosa realizada em 17 de outubro de 2025 entre integrantes da Polícia Federal e do Banco Central para tratar da investigação envolvendo o Banco Master. Quatro dias depois, o banqueiro registrou os nomes dos representantes da PF que participaram do encontro. Em outra anotação, registrada em 30 de outubro de 2025, Vorcaro afirmou ter recebido informações confidenciais de integrantes do Banco Central de que "G" — possivelmente uma referência ao presidente da instituição, Gabriel Galípolo, segundo a investigação — e outros diretores estariam sob pressão para adotar medidas contra o Banco Master diante de cobranças da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Em outra nota, o banqueiro escreveu: "De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados". Segundo a representação, ele afirmou que essas pessoas haviam participado da reunião e que, por esse motivo, as informações relativas aos nomes e às medidas mencionadas seriam, segundo ele, "100% confiáveis". Também alegou que não poderia "queimá-los", em referência às pessoas de sua confiança — ou, conforme afirma, seus amigos — dentro do Banco Central. Vorcaro provavelmente se referia a Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, e Bellini Santana, ex-chefe de departamento da área responsável pela supervisão bancária. Ambos foram afastados após uma investigação interna da autarquia e são investigados por suspeita de atuação inadequada na supervisão do Master antes da liquidação do banco. No inquérito, André Mendonça descreve os dois servidores como uma espécie de consultores privados que atuariam em favor de Vorcaro. A Polícia Federal destaca que as duas últimas anotações foram apagadas poucos minutos após terem sido registradas, mas puderam ser recuperadas durante a extração dos dados do aparelho. Para os investigadores, essa circunstância indica que Vorcaro não pretendia manter esse conteúdo armazenado no celular, "especialmente porque revelava a obtenção e o repasse de informações confidenciais provenientes de servidores públicos".