Operação deflagrada nesta quinta-feira teve como alvo o deputado Val Ceasa Deputado estadual do Rio Val Ceasa — Foto: Divulgação/Alerj No relatório que embasou os pedidos de busca e apreensão contra o deputado estadual do Rio Val Ceasa (PRD) e outros dois agentes públicos por ligação com o Terceiro Comando Puro (TCP), o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apontou uma "miríade de relacionamentos absolutamente espúrios" entre o parlamentar e a facção criminosa. O deputado é o principal alvo de uma operação deflagrada nesta quinta-feira (18), que apura se houve favorecimento político da segunda maior facção do Estado. Agentes do MPRJ e da Polícia Civil cumprem, ao todo, 14 mandados de busca e apreensão. No documento, o MP afirma que as investigações indicaram uma "inaceitável penetração do crime organizado nas altas esferas do poder público". O órgão cita que o grupo teria atuação semelhante à identificada em investigações anteriores, como a que levou à prisão o então deputado estadual TH Joias e o ex-presidente da Assembleia Legislativa Rodrigo Bacellar e revelou ligações do Comando Vermelho (CV) com a Alerj. "A exemplo da investigação que desvelou a infiltração da facção criminosa Comando Vermelho na Alerj, o presente inquérito policial está a desvendar que a facção rival, autodenominada Terceiro Comando Puro, também se entranhou nas vísceras da Casa Legislativa", diz trecho do documento. O MP aponta que Val Ceasa teria tentado obter informações sobre uma operação sigilosa de demolição de imóveis de luxo utilizados pela cúpula do TCP no Complexo de Israel, na zona norte do Rio. Após a suposta intervenção, imóveis ligados à facção passaram a ostentar faixas de projetos sociais inexistentes em nome de Val Ceasa, numa tentativa de evitar investigações e demolições. O órgão também cita o uso de de dependências do Ceasa (Centro de Abastecimento), onde o deputado possui empresas, para descarregar armas de fogo, além de indicar incompatibilidade patrimonial do parlamentar. Nas eleições de 2022, o deputado informou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1,1 milhão em bens. O MP, no entanto, identificou que empresas ligadas a ele movimentaram R$ 13 milhões em transações recentes. Evolução patrimonial A evolução patrimonial suspeita também envolve a compra de imóveis de luxo, como uma mansão na Barra da Tijuca e um apartamento na orla do Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste do Rio. O ex-vereador Ulisses de Almeida Marins e o assessor parlamentar Michael Johnny Viana Azevedo, atualmente funcionário da Companhia Municipal de Energia e Iluminação (Rioluz), também são alvos da ação desta quinta. De acordo com MPRJ, Michael Azevedo foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. A prefeitura do Rio informou que o servidor Michael Johnny Vianna de Azevedo vai ser exonerado na edição de sexta-feira do Diário Oficial. Já o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins não integra os quadros de servidores municipais. A Alerj informou, em nota, que está à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações. A Casa reiterou que atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense.