Em operação, foram presos o deputado estadual Val Ceasa (PRD) e o ex-vereador Ulisses Marins, suspeitos de ligação com a facção 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Deputado estadual Val Ceasa é alvo de buscas em operação contra ligação de agentes públicos com o TCP — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 22:33 Deputado e ex-vereador presos por ligação com facção no Rio A operação do Ministério Público do Rio prendeu o deputado estadual Val Ceasa (PRD) e o ex-vereador Ulisses Marins por suspeitas de ligação com o Terceiro Comando Puro (TCP) e influência na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Investigações revelam interferências políticas para impedir a demolição de um imóvel usado pelo tráfico. Além disso, há suspeitas de cobrança ilegal de taxas na Ceasa e transações imobiliárias irregulares. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma operação deflagrada ontem pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) contra o deputado estadual Val Ceasa (PRD) e o ex-vereador Ulisses Marins recolocou a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) no centro de um escândalo sobre a influência de facções criminosas em estruturas do poder público. Após as prisões do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, e do deputado estadual TH Jóias, sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho, investigações revelam agora possíveis vínculos de políticos com o Terceiro Comando Puro. De acordo com o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, o inquérito “está a desvendar” que o TCP também se “entranhou nas vísceras da Casa Legislativa”. Outros dois casos aprofundam o desgaste do parlamento estadual neste mandato: o deputado Thiago Rangel (Avante) foi preso em maio pela Polícia Federal, sob a acusação de chefiar um esquema de fraudes em licitações; e Lucinha (PSD) é ré por envolvimento com milícia. Val Ceasa e Ulisses Marins são apontados como articuladores de ações para impedir a demolição do “resort” do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, um dos principais chefes do TCP. O imóvel, em Parada de Lucas, no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, foi demolido em março de 2025. De acordo com as investigações, porém, a estrutura poderia ter sido colocada abaixo cerca de 15 meses antes, não fossem interferências políticas e o vazamento de informações sigilosas para a quadrilha. Ex-assessor tinha armas Na operação de ontem, os agentes apreenderam celulares, documentos e outros equipamentos em endereços dos políticos e de Michael Johnny Vianna de Azevedo, ex-assessor parlamentar que também foi alvo da ação. Ele acabou sendo preso em flagrante, junto com a companheira, Suelen Silva dos Reis — conhecida como Suelen Bacana —, por posse ilegal de arma de fogo. Nos imóveis do deputado, a Polícia Civil apreendeu aproximadamente R$ 320 mil em espécie. Os agentes também vasculharam o gabinete de Val Ceasa na Alerj. Segundo o MPRJ, Val Ceasa e Marins foram ao 16º BPM (Olaria), em 11 de dezembro de 2023, para pedir ao comandante do batalhão informações sobre a ação que tinha como alvo o “resort” do Peixão — uma área de lazer em que os traficantes desfrutavam de um lago artificial com peixes, cercado de coqueiros e bangalô. O oficial teria afirmado que não tinha como dizer se haveria operação. Na época, as negociações para a destruição do imóvel ocorriam em reuniões a portas fechadas entre a PM, a Prefeitura do Rio e o MPRJ. A primeira foi em 29 de novembro de 2023, e a derrubada estava marcada para 14 de dezembro. A Prefeitura do Rio também foi procurada pelos dois políticos em busca de informações sobre a demolição. Atual comandante da Força Municipal, Brenno Carnevale era secretário municipal de Ordem Pública (Seop) à época e relatou ao Ministério Público que Val Ceasa demonstrou interesse em saber se havia alguma ação prevista para a região, mas que nenhuma informação operacional ou detalhe do planejamento foram repassados. Marins também procurou Carnevale para saber sobre o que aconteceria. Os donos do crime: Peixão comanda o Complexo de Israel com perfil violento Em outubro de 2024, uma operação policial chegou ao “resort” de Peixão. No muro, havia uma faixa com a inscrição: “Projeto Social da Criança ao Idoso – Realização Val Ceasa, Ulisses Marins e Dani Cunha”. Segundo o Ministério Público, em inúmeras operações policiais, nunca foi constatada qualquer ação social no local. A Secretaria municipal de Assistência Social informou não constar cadastro dos projetos mencionados nas faixas. O “resort” só foi demolido em março deste ano. A deputada federal Dani Cunha disse às autoridades que seu nome foi usado sem sua permissão. Áudio de chefe do tráfico Em outro episódio detalhado pelo MPRJ, Marins teria apresentado a Carnevale um áudio atribuído a Peixão, no qual o criminoso se defendia da acusação de proibir igrejas em áreas do Complexo de Israel. A informação sobre o áudio chegou ao MPRJ por meio do então secretário. Em depoimento, ele contou que em 6 de julho de 2024 foi a uma igreja nas proximidades das comunidades dominadas por Peixão para checar a informação de que festas juninas estavam sendo proibidas pelo tráfico. Foi quando Marins, diz o então secretário, chegou ao local e afirmou que “não parecia crível que a ordem tivesse sido emanada do Peixão”. “Agora estão gerando fake news dizendo que mandei fechar até as igrejas”, diz um trecho do áudio atribuído ao bandido. No documento que o MPRJ encaminhou à Justiça para embasar 14 pedidos de busca e apreensão, o órgão ainda relatou que Ulisses Marins é investigado em procedimento da Polícia Civil por suspeita de esconder armas e drogas do TCP em imóvel que funcionava como seu comitê eleitoral em Brás de Pina. Taxa na Ceasa Além da possível relação com o TCP, o MPRJ aponta que Val Ceasa é suspeito de permitir que bandidos cobrem taxas dos comerciantes da Central de Abastecimento do Estado do Rio (Ceasa), em Irajá. Os investigadores também levantaram o patrimônio do deputado, que teria movimentado mais de R$ 13 milhões em transações imobiliárias recentes. De acordo com o órgão, os negócios apontam indícios de “incompatibilidade” com o valor declarado pelo parlamentar ao Tribunal Superior Eleitoral. Entre os negócios identificados estão a construção de um galpão no Espírito Santo e a aquisição de dois imóveis, um no Recreio dos Bandeirantes e outro na Barra da Tijuca. Ao comentar a operação, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, afirmou que “não se pode aceitar que o parlamento seja ocupado por figuras dessa estirpe”. Segundo ele, esses casos acendem um alerta sobre a influência de facções criminosas em espaços de representação política. Na porta da Alerj, Val Ceasa disse trabalhar para “os humildes”. — Acho que todo servidor público tem que ser investigado. A Justiça tem o direito de investigar, isso é normal. Isso aí é perseguição política — afirmou o deputado à rádio CBN. Em nota, a Alerj afirmou que está “à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações”. O GLOBO não conseguiu contato com Marins. Em nota, a Prefeitura do Rio informou que a operação teve origem em denúncia apresentada pela Secretaria de Ordem Pública e que o caso foi tratado em diversas reuniões entre o órgão e o GAECO desde 2023. Em depoimento prestado ao Ministério Público em novembro de 2024, o então secretário de Ordem Pública, Brenno Carnevale, relatou formalmente a tentativa de interferência para impedir a demolição da construção irregular localizada em Vigário Geral. A Prefeitura também destacou que o servidor Michael Johnny Vianna de Azevedo será exonerado do cargo que ocupa na Companhia Municipal de Energia e Iluminação – Rioluz, na edição desta sexta-feira (19/06) do Diário Oficial.
Nas vísceras da Alerj: entenda como o TCP se entranhou no Legislativo estadual, segundo o Ministério Público
Em operação, foram presos o deputado estadual Val Ceasa (PRD) e o ex-vereador Ulisses Marins, suspeitos de ligação com a facção











