Val Ceasa e o ex-vereador Ulisses Marins são apontados como suspeitos de atuar para impedir a demolição de um resort de luxo do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Deputado estadual Val Ceasa é alvo de buscas em operação contra ligação de agentes públicos com o TCP — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 14:21 Deputado do RJ investigado por ligações com facção criminosa O deputado estadual do Rio, Val Ceasa, é investigado por suposto envolvimento com o Terceiro Comando Puro (TCP), movimentando mais de R$ 13 milhões em transações imobiliárias. Ele e o ex-vereador Ulisses Marins são suspeitos de impedir a demolição de um resort de luxo do traficante Peixão, alegando ser um projeto social. A operação do MPRJ inclui mandados de busca e apreensão e revela a interferência dos políticos em ações policiais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Alvo de uma operação que investiga a ligação entre agentes públicos e o Terceiro Comando Puro (TCP), o deputado estadual do Rio Roosevelt Barreto Barcelos (PRD), conhecido como Val Ceasa, movimentou mais de R$ 13 milhões em transações imobiliárias, segundo o Ministério Público do Rio. A informação foi apontada pelo órgão como um dos indícios de “incompatibilidade” entre o patrimônio declarado pelo parlamentar e os dados apurados durante a investigação. Val Ceasa e o ex-vereador Ulisses Marins são apontados como suspeitos de atuar para impedir a demolição de um resort de luxo do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, um dos chefes da facção, em Parada de Lucas, no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio. Esconderijo do traficante Peixão tem placa de projeto social com nome de parlamentaresPolíticos investigados têm votação maior em locais perto de 'resort' do tráfico no Complexo de Israel De acordo com o MPRJ, Val Ceasa declarou à Justiça Eleitoral, em 2022, patrimônio de pouco mais de R$ 1 milhão. No entanto, durante o inquérito que apura um possível elo com o TCP, os investigadores identificaram que o deputado e empresas controladas por ele realizaram transações imobiliárias que ultrapassam R$ 13 milhões. Entre os negócios identificados estão a construção de um galpão em um imóvel comercial no Espírito Santo e a aquisição de dois imóveis, um no Recreio dos Bandeirantes e outro na Barra da Tijuca. Durante a operação desta quinta-feira, agentes cumpriram 14 mandados de busca e apreensão contra os investigados. Duas pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de arma de fogo: Suelen Silva dos Reis — conhecida como Suelen Bacana — e o atual companheiro dela, Michael Johnny Vianna de Azevedo, alvo da operação. Operação na Alerj mira deputado Val Ceasa e ex-vereador Ulisses Marins por elo com o TCP Reunião no 16º BPM De acordo com as investigações, o deputado Val Ceasa e o ex-vereador Ulisses Marins estariam envolvidos no cancelamento de uma operação marcada para dezembro de 2023 para demolir o resort de Peixão. Segundo o MPRJ, a dupla teria ido ao 16º BPM (Olaria) no dia 11 de dezembro daquele ano e solicitado ao comandante do batalhão informações sobre uma operação policial sigilosa. Em depoimento, o comandante afirmou que Val Ceasa defendeu o local, alegando que ele era utilizado para “ações sociais”, e que teria sido informado sobre a ação por integrantes da associação de moradores. Além da Polícia Militar, a Prefeitura do Rio também foi procurada por Val Ceasa e Ulisses Marins em busca de informações sobre a operação de demolição. Atual comandante da Força Municipal, Brenno Carnevale era secretário municipal de Ordem Pública (Seop) à época e relatou ao Ministério Público contatos feitos pelo deputado estadual e pelo então vereador sobre a ação planejada. Em depoimento como testemunha, Carnevale afirmou que também foi procurado por Val Ceasa para tratar da operação e que o deputado demonstrou interesse em saber se havia alguma ação prevista para a região de Parada de Lucas e Vigário Geral. Segundo o então secretário municipal de Ordem Pública, nenhuma informação operacional ou detalhe do planejamento foi repassado. Ulisses Marins também procurou Carnevale. De acordo com o depoimento, o ex-vereador manifestou preocupação com os efeitos que uma eventual operação de demolição poderia provocar na comunidade. 'Projeto social' Após a intervenção dos políticos, a PM esteve no local, onde foi instalada uma faixa — que antes não existia — com a inscrição: “Colônia de Férias do Projeto de Deus Kids". Em outra operação, policiais encontraram uma nova faixa com os dizeres "Projeto Social da Criança ao Idoso – Realização Val Ceasa, Ulisses Marins e Dani Cunha".Segundo o Ministério Público, em inúmeras operações realizadas pela polícia, nunca foi constatada qualquer ação social no local. A Secretaria Municipal de Assistência Social informou não possuir qualquer cadastro dos projetos mencionados nas faixas. Segundo o documento, não foram encontrados registros oficiais nem da "Colônia de Férias do Projeto Deus Kids", em Parada de Lucas, nem do "Projeto Social da Criança ao Idoso", em Vigário Geral. Segundo o MPRJ, após a ida dos políticos ao 16º BPM, foram realizadas mudanças no local com o objetivo de “disfarçar” que o espaço era utilizado por integrantes do TCP. Além da instalação de uma faixa fazendo referência a supostas atividades sociais, a academia de ginástica foi desmontada e a pintura alusiva à facção criminosa foi apagada. Operação era sigilosa As negociações para a destruição do resort ocorriam em reuniões a portas fechadas entre a Polícia Militar, a Prefeitura do Rio e o Ministério Público do Rio (MPRJ) desde 29 de novembro de 2023. Após as tratativas, a operação foi marcada para 14 de dezembro daquele ano. No entanto, a ação acabou cancelada após a interferência dos parlamentares, uma vez que eles demonstraram que a operação já havia sido vazada e ainda levantaram a hipótese de que o local era utilizado para ações sociais. Segundo o Ministério Público, à época, a informação sobre o suposto projeto social foi recebida “sem que tivesse sido apurado de que forma as notícias acerca da demolição administrativa — até então sigilosas — chegaram ao conhecimento dos parlamentares”. Após a interferência, o local voltou a ser usado por criminosos do TCP, inclusive com a realização de melhorias na estrutura. Veja imagens da casa do traficante Peixão 1 de 6 Polícia chega à mansão do traficante Peixão, em Parada de Lucas, na Zona Norte — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 2 de 6 Um dos fossos, em construção, para dificultar a chegada dos agentes ao esconderijo de Peixão — Foto: Domingos Peixoto X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Sala de imóvel do traficante Peixão, em Parada de Lucas, Zona Norte do Rio — Foto: Reprodução 4 de 6 Aparelhos em academia de imóvel do traficante Peixão são marcados com Estrela de Davi — Foto: Reprodução X de 6 Publicidade 5 de 6 Policiais vasculhando mansão de Peixão no Complexo de Israel — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 6 de 6 Policiais vasculham mansão com piscina onde Peixão se escondia — Foto: Domingos Peixoto X de 6 Publicidade . Entenda a operação O MPRJ cumpre nesta quinta-feira 14 mandados de busca e apreensão contra o deputado estadual Val Ceasa, o ex-vereador Ulisses Marins, atualmente servidor municipal, e o ex-assessor parlamentar Jair de Mendes. Eles são investigados por suspeita de envolvimento com o Terceiro Comando Puro (TCP). Os mandados são cumpridos no gabinete do parlamentar na Alerj, além de endereços na Ceasa, na capital fluminense e no Espírito Santo. Segundo o MPRJ, a investigação começou após surgirem indícios de que os agentes públicos teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa que previa a demolição de imóveis ligados à facção em Parada de Lucas, no Complexo de Israel. Os investigadores apontam que eles teriam usado a influência dos cargos para alegar que os imóveis seriam destinados à prestação de serviços sociais, versão que não foi confirmada pelas apurações. A operação acabou sendo adiada.