PUBLICIDADE Deputado, alvo de operação do MPRJ nesta quinta-feira, apareceu em mensagens interceptadas entre integrantes da cúpula do Comando Vermelho 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 o deputado estadual Val Ceasa — Foto: Lucas Tavares / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 08:24 Deputado Val Ceasa é investigado por ligações com o tráfico no RJ O deputado estadual Val Ceasa é alvo de uma operação do MPRJ por suspeitas de ligação com o Terceiro Comando Puro (TCP). Investigações revelam que o Comando Vermelho (CV) também buscou aproximação com políticos, como Val, para ampliar sua influência. Mensagens interceptadas mostram diálogos entre integrantes do CV mencionando Val em uma reunião no Palácio Guanabara, sugerindo cooptação. A operação cumpre mandados de busca em diversos locais ligados ao deputado e associados. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Alvo de uma operação do Ministério Público do Rio (MPRJ) nesta quinta-feira por suspeita de atuação em favor de interesses do Terceiro Comando Puro (TCP), o deputado estadual Val Ceasa já havia aparecido em uma investigação da Polícia Federal que revelou o interesse do Comando Vermelho (CV) em se aproximar de agentes políticos com trânsito no poder público. A ligação de políticos com facções criminosas foi exposta na série "Os donos do crime", do GLOBO, mostrou com exclusividade mensagens interceptadas pela PF, em que o traficante Carlos Costa Neves, o Gardenal, enviou ao chefe do CV no Complexo da Penha, Edgar Alves de Andrade, o Doca, uma foto de Val Ceasa durante uma reunião no Palácio Guanabara, em janeiro de 2025. Ao encaminhar a imagem, Gardenal escreveu: "Te falei, Val é o contato dele", sem explicar a quem se referia. Em seguida, Doca respondeu: "É, mano, esse cara tem que vir para nós". Esconderijo do traficante Peixão tem placa de projeto social com nome de parlamentaresPolíticos investigados têm votação maior em locais perto de 'resort' do tráfico no Complexo de Israel Investigação da Polícia Federal — Foto: Reprodução Segundo a Polícia Federal, a troca de mensagens demonstra o interesse da facção em aliciar agentes políticos para ampliar sua influência, conquistar proteção institucional e exercer influência sobre decisões públicas. A investigação apontou ainda que a aproximação com políticos teria como objetivo influenciar ações sociais e evitar interferências do Estado em áreas dominadas pelo grupo criminoso. Embora a conversa não esclareça quem seria o "dele" mencionado por Gardenal, uma fonte da PF afirmou que o diálogo remete a uma suposta aliança de Val Ceasa com Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado pelas autoridades como chefe do TCP, facção rival do Comando Vermelho. A relação entre o parlamentar e o entorno de Peixão já havia sido abordada em outra investigação. Reportagem do GLOBO mostrou que a demolição de um resort atribuído ao traficante, na Cidade Alta, foi adiada por cerca de 15 meses após uma suposta articulação política. O caso é investigado pela Procuradoria-Geral de Justiça em procedimento sigiloso. Entenda a operação O MPRJ cumpre nesta quinta-feira 14 mandados de busca e apreensão contra o deputado estadual Val Ceasa, o ex-vereador Ulisses Marins, atualmente servidor municipal, e o ex-assessor parlamentar Jair de Mendes. Eles são investigados por suspeita de envolvimento com o Terceiro Comando Puro (TCP). Os mandados são cumpridos no gabinete do parlamentar na Alerj, além de endereços na Ceasa, na capital fluminense e no Espírito Santo. Segundo o MPRJ, a investigação começou após surgirem indícios de que os agentes públicos teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa que previa a demolição de imóveis ligados à facção em Parada de Lucas, no Complexo de Israel. Os investigadores apontam que eles teriam usado a influência dos cargos para alegar que os imóveis seriam destinados à prestação de serviços sociais, versão que não foi confirmada pelas apurações. A operação acabou sendo adiada.