Diplomacia sempre foi alternativa melhor do que a guerra para impedir desenvolvimento de bombas atômicas, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mulher caminha ao lado de um outdoor com a bandeira nacional do Irã na Praça Enghelab, em Teerã — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 05:22 Diplomacia supera ação militar no controle nuclear iraniano, diz Guga Chacra Em uma análise sobre o programa nuclear iraniano, Guga Chacra destaca que a diplomacia se mostrou mais eficaz que ações militares para impedir o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã. Apesar do compromisso de não desenvolver bombas atômicas, o Irã já buscou capacidades para tal. A retirada dos EUA do JCPOA sob Trump foi vista como um erro, pois levou ao aumento do enriquecimento de urânio pelo Irã. Agora, negociações podem retomar os parâmetros do acordo original. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Donald Trump vende como uma enorme vitória ter conseguido incluir no acordo para o encerramento do conflito um compromisso do Irã em não desenvolver uma arma atômica. Sem dúvida, a inclusão é importante. Mas o regime iraniano sempre negou ter como objetivo a fabricação de uma bomba atômica. TNP e fatwa – O Irã é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) desde os anos 1970. Portanto, sempre esteve sujeito a termos de um acordo que impedia o enriquecimento de urânio para produzir uma bomba. Diferentes presidentes e chanceleres iranianos também disseram ser contrários ao armamento. O então líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, publicou uma fatwa condenando bombas atômicas. Modelo norte-coreano – A questão sempre foi o risco de o Irã desenvolver armas nucleares de forma clandestina, como fez a Coreia do Norte. Há evidências de que o regime de Teerã ao menos buscou a capacidade de fabricar uma bomba atômica ao longo das décadas e esteve próximo de atingir esse objetivo. Opções – Sempre houve duas alternativas para tentar impedir que o Irã avançasse em seu programa nuclear: a militar e a diplomática (talvez associada a algumas ações de sabotagem, como o vírus Stuxnet e ataques a cientistas nucleares). Ao longo das décadas, os EUA usavam a ameaça militar, associada a sanções, para convencer o Irã diplomaticamente a fazer concessões. JCPOA – A estratégia do governo Barack Obama foi justamente essa. Primeiro, organizou um amplo pacote de sanções e, com apoio da Rússia e da China, forçou o Irã a se sentar à mesa de negociações. Após anos de diálogo, foi firmado um acordo conhecido como JCPOA, entre o Irã e todas as grandes potências (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido). O acordo restringiu a capacidade de enriquecimento de urânio pelo Irã a apenas 4%, bem abaixo do necessário para desenvolver uma bomba. O Irã tampouco podia armazenar o urânio enriquecido, precisando enviar para a Rússia, em troca de combustível nuclear para as suas usinas. Críticos – Os críticos diziam que o acordo seria insuficiente por não incluir os mísseis balísticos e o apoio ao Hezbollah e ter duração limitada. São críticas legítimas. Mas, como dizia Macron, bastava tentar negociar a prorrogação do acordo no futuro. Já as questões dos mísseis e do Hezbollah deveriam ser tratadas paralelamente. O acordo era respeitado pelo Irã, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que realizava inspeções, e todos os serviços de inteligência, incluindo o dos EUA. Ainda assim, quando assumiu o poder, Trump decidiu retirar os norte-americanos do acordo. Benjamin Netanyahu, maior crítico do JCPOA, celebrou como uma vitória. Elevação do enriquecimento – Ao longo dos anos seguintes, o Irã acabou decidindo se retirar também do acordo por considerar as sanções impostas por Trump como uma violação. Acelerou seu programa nuclear e, em 2025, já enriquecia urânio a 60%, perto do patamar necessário para desenvolver uma bomba atômica. Obviamente, a retirada do acordo foi um erro. Bombardeios – Em junho do ano passado, em meio a negociações, os EUA decidiram se aliar a Israel para bombardear as usinas nucleares iranianas, como Fordo. A ação conseguiu atingir parcialmente seu objetivo, mas o Irã manteve a capacidade de reconstruir sua infraestrutura e também conseguiu salvar cerca de 400 kg de urânio enriquecido a 60%. Houve novas tentativas de negociações e mais uma vez Trump ordenou bombardeios — desta vez, com o objetivo de mudar o regime. Retorno à negociação – Após o fracasso na guerra, os EUA voltam para a mesa de negociações. O Irã está mais empoderado desta vez, mas ainda é possível que haja um acordo nos parâmetros do JCPOA. A diplomacia sempre foi uma alternativa melhor do que a guerra para tentar impedir o regime de Teerã de desenvolver bombas atômicas.
O cessar-fogo e o programa nuclear do Irã
Diplomacia sempre foi alternativa melhor do que a guerra para impedir desenvolvimento de bombas atômicas, afirma Guga Chacra em newsletter especial









