Prolongamento do conflito provoca normalização e desinteresse, afirma Guga Chacra em newsletter especial sobre a guerra no Oriente Médio Libanesa olha destruição na cidade de Tiro, no sul do Líbano, por bombardeios israelenses — Foto: Kawnat Haju/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 05:42 Guerra no Irã segue caminho de "ucranização" na mídia global Guga Chacra analisa como a guerra no Irã está se "ucranizando", com o conflito se alastrando pelo Oriente Médio e perdendo destaque na mídia, semelhante ao que ocorreu com a guerra na Ucrânia. A saturação de notícias repetitivas e a normalização dos bombardeios reduzem o interesse público, enquanto eventos internacionais e domésticos ganham mais atenção. O fenômeno ressalta a necessidade de vigilância para futuras mudanças no cenário bélico. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com a eclosão da guerra no Irã e o conflito se expandindo para diferentes países do Oriente Médio, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. A guerra na Ucrânia continua em seu quinto ano — ou 12º, dependendo se consideramos o início com a invasão da Crimeia em 2014 ou a ampla ação militar a partir de 2022. Nos últimos tempos, quase nunca consegue estampar as manchetes da mídia internacional. Ficou em segundo plano. Os bombardeios são diários, assim como as mortes de dezenas ou mesmo centenas de pessoas. Houve uma queda no interesse e não adianta culpar os jornalistas. Simplesmente, menos pessoas querem saber sobre o que ocorre naquele conflito. Chamo este fenômeno de “ucranização” de uma guerra. ‘Iraquização’ – Até a guerra na Ucrânia, costumava usar o termo “iraquização”. Afinal, houve momentos da Guerra do Iraque, já na administração de Barack Obama, a partir de 2009, que se passavam dias sem notícias do conflito, apesar de dezenas de milhares de militares e contractors norte-americanos estarem baseados no território iraquiano. Aqui nos EUA, havia a sensação de que a guerra havia acabado. Normalização – Normalmente, guerras começam com imensa cobertura internacional. Com o passar do tempo, bombardeios russos ou a ocupação de Bagdá simplesmente ficam normalizados. É o “más de lo mismo”, como diriam os argentinos. A chamada audiência internacional fica anestesiada e às vezes até pula as notícias sobre o conflito nos sites e jornais. Apenas os mais especializados na guerra e os diretamente afetados seguem acompanhando o dia a dia dos confrontos militares. Repetição – Sinto que a guerra no Irã passa por um processo de “ucranização”. Todas as semanas, ouvimos as mesmas ameaças de Trump, as mesmas respostas do regime de Teerã, as mesmas negociações fracassadas. Repetimos segunda, terça, quarta e a semana toda até domingo que o Estreito de Ormuz permanece fechado pelo Irã e os portos iranianos permanecem bloqueados pelos EUA. Sem impacto – Mesmo o leitor talvez tenha menos interesse por esta newsletter do que quando comecei dois meses atrás, no auge da guerra entre EUA e Israel contra o Irã. Nas redes sociais, raramente posts sobre a guerra viralizam ou geram polêmica. A Copa do Mundo e outras questões internacionais, além das domésticas, acabam tendo um impacto bem maior na audiência neste momento. Todas as semanas parecem repetições da anterior, como já escrevi aqui. Trump ameaça, Irã responde e as negociações não avançam. Líbano – É verdade que no sul do Líbano a guerra continua normalmente entre Israel e Hezbollah — não existe cessar-fogo, independentemente de acordos negociados pelos governos libanês e israelense para agradar os EUA. Mas, mesmo este conflito ainda quente não produz comoção suficiente. Inclusive, mesmo com centenas de libaneses morrendo, outros libaneses têm aproveitado essa primavera mediterrânea para ir à praia — basta acompanhar perfis do Instagram do Líbano para ter uma ideia. Até quando – Esta ucranização talvez seja interrompida no caso de retomada da guerra, o que pode ocorrer a qualquer momento. Certamente, novos bombardeios dos EUA e Israel a Teerã e ataques iranianos a países do Golfo e a Israel dominarão as manchetes, ainda que apenas por alguns dias. Mas, melhor que siga o cessar-fogo entre norte-americanos e iranianos, para ficar claro. O ideal seria que os dois lados finalmente chegassem a um acordo para encerrar o conflito. Neste caso, seria uma das maiores notícias dos últimos anos. Como foi na Síria – A Guerra da Síria também “ucranizou”, ou “iraquizou”, a partir de 2019. Muitos davam o conflito como vencido por Bashar al-Assad — eu inclusive. A falta de atenção levou todos a serem pegos de surpresa quando o grupo Hayyet Tahiri al-Sham em poucos dias conseguiu avançar a partir da distante província de Idlib e conquistar o poder em Damasco, derrubando o então ditador. Futuro – Nestes momentos de ucranização, quando tudo parece estar parado, devemos prestar atenção nas movimentações para anteciparmos as próximas etapas. A guerra não acabará no atual limbo que temos observado desde o início de abril, quando foi firmado o cessar-fogo. Algo vai acontecer.
Como estamos ‘ucranizando’ a guerra no Irã
Prolongamento do conflito provoca normalização e desinteresse, afirma Guga Chacra em newsletter especial sobre a guerra no Oriente Médio















