A guerra de EUA e Israel contra o Irã fez muito mais do que desestabilizar o Oriente Médio, provocar disparada nos preços do petróleo, gás e outros produtos, e perturbar a economia global. Ela também deixou aliados e rivais dos EUA correndo para responder a uma superpotência imprevisível e pouco confiável, desencadeando um realinhamento geopolítico histórico que alterará o equilíbrio global de poder ao longo da próxima década.

Os efeitos da guerra são mais imediatos e profundos, é claro, na região onde ela está sendo travada. A guerra ajudou a convencer muitos Estados árabes do Golfo de que o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) —um arranjo diplomático, econômico e de segurança frouxo, há muito assolado por disputas internas— não serve mais ao seu propósito.

Para os Emirados Árabes Unidos, que em 28 de abril anunciaram a intenção de encerrar uma participação de quase seis décadas na Opep, a guerra intensifica sua rivalidade com os sauditas. Os EAU agora se alinharão mais estreitamente com Israel em inteligência, tecnologia e segurança, na esperança de enfraquecer o regime em Teerã.

A Arábia Saudita, por sua vez, pretende usar um alinhamento militar mais estreito com a potência nuclear Paquistão, bem como com Egito e Turquia, em coordenação mais próxima com a China, para encontrar maneiras de conviver pacificamente com a República Islâmica.