Ninguém suporta mais notícias sobre desequilíbrio fiscal, gastança do Executivo, pautas bomba no Congresso, penduricalhos do Judiciário —dinheiro público que sai pelo ralo à vazão de bilhões de reais. Mas por que se fala tão pouco do custo real do petróleo e da guerra no Irã?

É trivial: mais fácil defender cortes em despesas sociais (salário mínimo, aposentadorias, transferências de renda) do que cogitar reformas em subsídios e outras despesas fiscais com combustíveis fósseis na casa do trilhão —de dólares!— mundialmente. Sem contar o custo da agressão dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.

Não dá para entender por que se gasta tanto com um insumo energético condenado a desaparecer neste século, se for para evitar a pior mudança do clima. O dado portentoso parte da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), não do Observatório do Clima nem do Greenpeace: para apoiar fósseis em 2024, o planeta arcou com custo fiscal de US$ 916,3 bilhões (um terço do PIB do Brasil).

O FMI (Fundo Monetário Internacional) calcula ônus fiscal um pouco mais baixo, US$ 725 bilhões de subsídios explícitos. Computados os subsídios ocultos, como despesas com poluição do ar e eventos climáticos extremos, acrescentam-se outros US$ 6,7 trilhões. Tudo somado, quase três PIBs do Brasil.