O Banco Central do Brasil indicou que não pretende apertar a política monetária, mas pode ser levado a fazê-lo no futuro — Foto: Andrew Harrer/Bloomberg O Federal Reserve (Fed) se inclina por um aumento da taxa de juros, mas a manteve inalterada na reunião de ontem, entre 3,5% e 3,75%, e retirou o trecho do comunicado que poderia indicar afrouxamento adicional da política monetária. Mais do que avaliar o estado da economia, o novo presidente do banco central dos EUA, Kevin Warsh, se empenhou em dizer o que quer mudar nas práticas da instituição e começou por uma das mais importantes: o comunicado do Fomc, comitê que decide o rumo dos juros, não deu qualquer sinal de seus próximos passos (“forward guidance”), uma prática que, a depender dele, será extinta. O texto se encerra com um seco e óbvio compromisso de assegurar a “estabilidade dos preços”. O Banco Central do Brasil não pretende apertar a política monetária, mas pode ser levado a fazê-lo no futuro. Ontem, fez novo corte de 0,25 ponto, para 14,25%, e indicou que poderá continuar com as reduções, dependendo dos dados. Warsh foi escolhido pelo presidente Donald Trump para reduzir a taxa de juros. Em sua estreia no comando do Fed, teve de deixar de lado provisoriamente suas crenças não só a respeito da queda dos juros, contra a qual praticamente a metade dos membros do Fomc se manifestou nas projeções de pontos, como também sobre a necessidade de redução do balanço do banco. No segundo parágrafo de um comunicado drasticamente reduzido em relação aos anteriores, consta que o comitê “reafirma sua política de manter amplas reservas no sistema bancário”. Warsh resumiu seus pontos de vista ao comunicado, que traça apenas descrições básicas. Nele, a economia manteve “ritmo sólido”, apesar das instabilidades produzidas em parte pelo conflito no Oriente Médio, e a taxa de desemprego praticamente não se moveu, com a oferta de empregos acompanhando a expansão da força de trabalho. A produtividade e os investimentos estão “fortes”. A inflação, porém, continua elevada em relação à meta de 2%, o que é atribuído, em parte, aos “choques de oferta” em alguns setores, como o de energia. Um resumo mais amplo de para onde o Fed pode caminhar pode ser vislumbrado nas projeções de 18 membros do comitê de mercado aberto — Warsh não apresentou as suas por ser crítico da forma com que são feitas. Para o ano corrente, só um membro acha que o juro será reduzido em 0,25 ponto. Oito deles esperam que a taxa será mantida, enquanto outros três preveem uma alta de 0,25 ponto, cinco, duas altas, e um, três elevações. O motivo para isso está no desempenho da inflação, que, medida pelo índice de preços ao consumidor, ultrapassou em maio o dobro da meta do Fed, chegando a 4,2% anuais. Nas métricas preferidas pelo banco, as dos gastos pessoais de consumo, as previsões subiram muito em relação às da reunião de março, quando a guerra dos EUA contra o Irã mal havia começado. Esse índice deve fechar 2026 em 3,6% (a projeção anterior era de 2,7%) e seu núcleo, em 3,3% (ante 2,5% antes). A economia se mantém em expansão próxima à de seu potencial (2,2%, perto dos 2%), e o desemprego até cairá um pouco em 2026 e nos dois anos seguintes (4,3%, diante de 4,4% da estimativa anterior). Ainda assim, a mediana das projeções dos membros do comitê aponta a taxa dos fed funds entre 3,75% e 4% no fim do ano. A perspectiva é idêntica à dos investidores, que veem a primeira elevação de juros em outubro. Como a inflação só voltará exatamente à meta em 2028, o gráfico de pontos praticamente não contempla grandes mudanças nos juros. A mediana para 2027 é de 3,5% a 3,75% (com oito membros prevendo taxa acima disso), e de 3,25% a 3,5% em 2028. Olhando o ponto de partida, os juros devem recuar, vistos de hoje, apenas 0,25 ponto percentual no período. Warsh criou cinco grupos de trabalho para mudar o modus operandi do banco. O primeiro é o de comunicação, sobre a qual sua predileção é deixar de indicar os próximos passos do Fed, reduzir as entrevistas, feitas após as reuniões, e acabar com, ou mudar, a divulgação dos gráficos de pontos. O segundo tratará do balanço da instituição, que pretende reduzir. Ele quer modernizar o sistema de dados que abastece o banco, pois considera as estatísticas atuais defasadas, além de criar outro grupo para avaliar produtividade e crescimento (ele crê que a inteligência artificial irá reduzir a inflação). Por último, o quinto grupo estudará toda a “estrutura da inflação”, objetivo nebuloso que, no entanto, não envolve, como ressaltou, a mudança da meta do Fed. Para o BC do Brasil, houve piora no cenário prospectivo, com aceleração da inflação e das medidas subjacentes, e um ritmo mais intenso da atividade econômica no primeiro trimestre. No entanto, o Comitê de Política Monetária não modificou o balanço de riscos, que continua apontando iguais chances de a inflação cair como subir, e indicou “diferentes trajetórias” dos juros que assegurariam a convergência da inflação à meta. Em uma delas, a inflação no horizonte relevante da próxima reunião, o primeiro trimestre de 2028, ficaria “abaixo da meta”. Foi isso que assegurou a continuidade da “calibração”, sem indicações explícitas de que o ciclo de queda poderia sofrer uma pausa.
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O Banco Central do Brasil indicou que não pretende apertar a política monetária, mas pode ser levado a fazê-lo no futuro











