Esta Folha, como qualquer empresa, não admitiria que 30% dos jornais saíssem de suas gráficas com problemas de impressão. Contudo, no Brasil, mais de um terço das crianças que chegam ao final do ciclo de alfabetização não estão alfabetizadas. E apenas 5% dos jovens que concluem o ensino médio têm proficiência elementar em matemática. Esse problema precisa ser enfrentado com a formação de bons professores.

Ao cruzar os dados do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) com os resultados da Prova Nacional Docente e de avaliação dos cursos de licenciatura (Enade), o diagnóstico se torna incontornável: os problemas da educação básica brasileira começam e se retroalimentam na fragilidade da formação inicial dos seus docentes.

Os dados do Enade recém-divulgados pelo MEC revelam uma grande quantidade de cursos de baixa qualidade com conceitos 1 e 2 da escala 5 de avaliação. O cenário se agrava substancialmente quando o foco se desloca para as modalidades de ensino a distância (EAD), que hoje concentram 70% das matrículas de formação de professores no país.

Os resultados da primeira edição da Prova Nacional Docente mostram que 42% dos que estão prestes a assumir a regência de uma classe não têm domínio suficiente de conteúdos e métodos que eles próprios deveriam ensinar de forma segura e eficaz. O problema não reside no esforço individual desses professores — muitos oriundos de escolas públicas e com trajetórias de superação —, mas sim em um modelo de ensino superior que, ao lado de alguns cursos de alta qualidade, ainda admite a existência de uma alarmante oferta precarizada.