A Folha lançou uma série sobre os cursos de engenharia no Brasil e seus desafios; o maior deles, hoje, é atrair e reter jovens. O retrato é preocupante: no ciclo 2020 a 2024, 57,2% dos estudantes abandonaram a graduação na área, a maior parte nos dois primeiros anos.
À exceção da computação, a concorrência por vaga nas melhores universidades públicas caiu vertiginosamente desde o início dos anos 2000. Boa parte da explicação está em currículos muito teóricos nos primeiros semestres, que o aluno não consegue ligar à prática profissional.
Não é um destino inevitável: há décadas várias instituições ao redor do mundo vêm reorganizando a formação de engenheiros. Em 2018, o estudo "The Global State of the Art in Engineering Education", encomendado pelo MIT, apontou o Olin College, nos Estados Unidos, como a principal referência mundial em inovação no ensino de engenharia, com um currículo construído sobre projetos e parcerias com empresas.
O relatório mapeou líderes consolidados e emergentes, como a dinamarquesa Aalborg, que organiza toda a universidade em torno de problemas reais desde os anos 1970, a National University of Singapore e a PUC do Chile, e citou a experiência brasileira do Insper entre as instituições a observar. Naquele momento, a engenharia do Insper tinha apenas três anos. De lá para cá, ajudou a influenciar a reforma das Diretrizes Curriculares Nacionais do ensino de engenharia e inspirou a transformação de instituições tradicionais e a criação de novas, como o Inteli.








