Enquanto, na média da OCDE, 9% dos estudantes encontram-se nos níveis mais altos de desempenho, no Brasil, esse percentual não passa de 1% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Alunas estudando na Escola Estadual Parque dos Sonhos, em Cubatão (SP) — Foto: Reprodução / T4 Education RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/06/2026 - 16:54 Desafios Educacionais no Brasil: Equilíbrio entre Equidade e Excelência O Brasil enfrenta um desafio educacional grave: apenas 1% dos estudantes atingem os níveis mais altos de desempenho, em contraste com 9% na média da OCDE. O livro de João Batista Araújo Oliveira destaca a importância de identificar e desenvolver talentos desde cedo, mas critica a abordagem atual, que depende de avaliações subjetivas. O autor alerta para o risco de políticas que priorizem a elite aumentarem a desigualdade, enfatizando a necessidade de equilíbrio entre equidade e excelência. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO É já conhecido o fato de o Brasil ostentar percentuais inaceitáveis de estudantes que terminam a educação básica sem aprendizagem adequada. Em sua maioria, são alunos de menor nível socioeconômico, que não tiveram as mesmas oportunidades educacionais em comparação com jovens de famílias mais ricas e escolarizadas. Não há dúvida de que esses estudantes com resultados piores precisam ser o foco prioritário das políticas públicas. No entanto, é necessário olhar também para o topo da aprendizagem. E, igualmente aqui, o retrato brasileiro é muito ruim. No recém-lançado livro “Inteligência: o ativo estratégico que o Brasil não pode desperdiçar”, João Batista Araújo Oliveira argumenta que o “sucesso das nações também depende da capacidade de um país identificar, formar e mobilizar indivíduos capazes de operar na fronteira do conhecimento — cientistas, engenheiros, inventores, pesquisadores e empreendedores tecnológicos que expandem setores, criam mercados e sustentam vantagens competitivas duradouras”. O autor afirma ainda que um dos fatores “que distingue economias inovadoras de economias dependentes é a capacidade institucional de identificá-los precocemente, desenvolvê-los de forma intensiva e oferecer trajetórias educacionais compatíveis com seu potencial”. Mas estamos bem longe disso. Uma das maneiras de constatar nosso atraso no topo da aprendizagem é através do Pisa, o exame da OCDE aplicado em diversos países a jovens de 15 anos de idade. Enquanto, na média da OCDE, 9% dos estudantes encontram-se nos níveis mais altos de desempenho, no Brasil, esse percentual não passa de 1%. O problema é mais grave na rede pública, mas não restrito a ela. Mesmo atendendo uma clientela de maior nível socioeconômico e com maior investimento por aluno, a rede privada brasileira tem apenas 4% dos jovens (menos da metade da média da OCDE) nos patamares mais altos de aprendizagem. Portanto, nossa elite também se sai muito mal nesse retrato. Como destaca Oliveira, o problema não está na baixa presença de indivíduos com alto potencial em países pobres ou de renda média. Crianças e jovens de altas habilidades podem ser encontrados em todas as populações, estratos sociais e regiões. A diferença está na capacidade dos sistemas educacionais de identificá-los desde cedo e apoiá-los de forma a desenvolverem todo o seu potencial. O livro critica a forma mais comum de identificação de alunos com altas habilidades no Brasil, por utilizar instrumentos frágeis e mais dependentes de análises subjetivas dos professores. Isso amplia — de acordo com a literatura acadêmica internacional citada na obra — o risco de alunos de contextos menos favorecidos ou que fujam aos estereótipos do “bom aluno” serem preteridos nesses processos. O autor admite, porém, que a política para identificar e desenvolver alunos com alto potencial não pode ocorrer em detrimento da necessária agenda de equidade e inclusão. Num país cujo projeto declarado para a educação secundária já foi a formação de “elites condutoras” (nos termos de Gustavo Capanema), enquanto “classes menos desfavorecidas” eram destinadas a trajetórias de segunda categoria, o risco de políticas que olhem para o topo gerarem mais desigualdade não é desprezível. O desafio, portanto, está em encontrar um equilíbrio entre a inegociável prioridade aos que mais precisam e o apoio para que todos desenvolvam ao máximo seu potencial, levando em conta diferentes aptidões, interesses e esforços.
Olhar para o topo da aprendizagem
Enquanto, na média da OCDE, 9% dos estudantes encontram-se nos níveis mais altos de desempenho, no Brasil, esse percentual não passa de 1%
Brasil tem apenas 1% de estudantes em nível máximo (vs 9% OCDE) porque não identifica early talent. Esse déficit de top talent enfraquece a pipeline tech; é necessário um framework para formar sistematicamente cientistas, engenheiros e founders qualificados.








