Bom desempenho de universidades estrangeiras expressa interesses nacionais na educação superior 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Unicamp — Foto: Divulgação Unicamp/Thomas Marostegan RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/06/2026 - 21:01 Universidades Brasileiras: Desafios e Reformas para Competitividade Global O artigo discute a posição das universidades brasileiras nos rankings internacionais e a necessidade de alinhar o ensino superior às demandas nacionais. Destaca a importância de integrar políticas educacionais com o desenvolvimento econômico e social do país. Apesar da queda em alguns rankings, instituições como USP e Unicamp mantêm reputação elevada. O texto enfatiza a urgência de reformular currículos e fortalecer a autonomia universitária para impulsionar o crescimento do Brasil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Robert Frost, poeta americano nascido em 1874, descreve, no poema de 1916 “O caminho não escolhido”, a terrível dúvida de um viajante diante de dois caminhos que se abriam num bosque amarelo. Um se perdia na mata; o outro transmitia a sensação de querer ser usado. Ambos estavam cobertos por folhas, e não por pegadas. Ao escolher um, percebeu que não o queria, mas não voltou, o que fez toda a diferença. A participação do Brasil nos recentes rankings do Center for World University Rankings (CWUR), que reuniu as 2 mil melhores universidades mundiais, e no QS World University Rankings, que definiu as 1.500 melhores, expressa, de certa forma, jornadas relevantes em caminhos não escolhidos. Parece que, pelo número total de classificadas, as altitudes desconsideraram as latitudes. A USP foi a universidade brasileira mais bem colocada em ambos, na 108ª posição no QS e na 119ª posição no CWUR. O Brasil comparece no ranking da CWUR com 52 universidades, 48 delas públicas; os Estados Unidos, com 313; e a China, com 360. No QS foram 24 universidades brasileiras, 20 delas públicas; a China, 72; e os Estados Unidos,192. Os requisitos adotados pelo CWUR consideram, em graus variados de intensidade, universidades que contam com bons professores, certo êxito de seus egressos e pesquisa com algum impacto. No QS, a reputação acadêmica foi o critério mais relevante, seguida da internacionalização, do aprendizado e das ações em sustentabilidade. As universidades brasileiras registraram queda em relação à edição anterior do QS. Ainda assim, USP e Unicamp ficaram entre as cem universidades mundiais com maior reputação acadêmica — a USP em 39º lugar e a Unicamp em 98º. Fica claro que a queda das universidades nacionais está relacionada menos a nossas perdas e mais aos ganhos expressivos de outras. É fato que obtivemos reconhecimento internacional em diversas dimensões. Mas e em nosso país? O que, afinal, a sociedade brasileira espera da universidade? Qual é a expectativa pública de impacto na economia e na sociedade? O bom desempenho de universidades estrangeiras expressa interesses nacionais na educação superior, na ciência e na pesquisa. É cansativo voltar a lembrar que a China tinha, há cerca de 30 anos, PIB relativamente menor que o brasileiro: US$ 735 bilhões ante US$ 769 bilhões. De lá para cá, a articulação da formação, da pesquisa e da ciência com a economia e com o crescimento da nação fez com que o PIB chinês saltasse para US$ 19,4 trilhões em 2025, ante US$ 2,2 trilhões do Brasil. Mesmo incapazes de salto maior, conquistamos a décima posição entre as economias mundiais, também apoiados no papel das universidades públicas em diversos setores da economia. Embora com melhorias elogiáveis ao longo dos anos, é da maior urgência a articulação das políticas educacionais com as políticas públicas e econômicas. É necessária superação continuada do atual arcabouço regulatório, cuja origem também nos leva a cerca de 30 anos atrás, de forma a estimular as universidades a ampliar, na melhor expressão de sua autonomia, os impactos que já produzem nas razões do crescimento econômico, humano e social do Brasil. É especialmente relevante o reordenamento dos currículos de graduação que, em elevado número de cursos, são conteudistas, ultrapassados e conservadores, de indecisa formação por competências e de tímida articulação com os diversos ambientes profissionais. As universidades públicas brasileiras detêm reconhecimento e competências para elevar a educação superior, a ciência e a pesquisa à mais alta prioridade da nação, reconhecendo as articulações do conhecimento com o futuro do país. Seria a escolha de um caminho que faria toda a diferença. *Luiz Roberto Liza Curi, sociólogo e doutor em economia pela Unicamp, é pesquisador associado da FGV e reitor do UniSENAI SP. Foi presidente do Conselho Nacional de Educação e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
Sociedade precisa dizer o que espera da universidade
Bom desempenho de universidades estrangeiras expressa interesses nacionais na educação superior






