Se o Brasil quiser crescer, reduzir desigualdades e acompanhar as transformações tecnológicas, precisará colocar a formação de professores no centro de suas prioridades Sala de aula em escola municipal do Rio de Janeiro — Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 21:57 Aprimoramento na Formação Docente: Chave para o Futuro do Brasil O artigo destaca a importância da formação de professores no Brasil, essencial para o crescimento econômico e social do país. Com ênfase na educação básica, argumenta que a qualidade dos professores é crucial para o aprendizado dos alunos, especialmente em um futuro incerto dominado por IA e robotização. Critica a formação deficiente nas licenciaturas, especialmente em EAD, e propõe melhorias na atratividade e qualidade do ensino para docentes, visando uma educação efetiva e transformadora. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quase todo dia escuto, penso ou falo alguma variação da frase “o futuro é cada vez mais incerto”, esse chavão, lugar-comum que serve a tantos senhores. Por isso me causa certo embaraço começar assim. Mas não tem jeito. Nesse futuro cada vez mais incerto, a melhor forma de acessá-lo é olhar para a educação de hoje. Mais precisamente, para as escolas de educação básica. Afinal, o que os alunos aprendem, como aprendem e como convivem são a base da formação humana, ainda mais importante em tempos de IA e robotização. Por sua vez, a qualidade das escolas e a garantia de aprendizado dependem da qualidade dos professores. E para termos professores bem preparados é preciso excelência nos cursos de Pedagogia e outras Licenciaturas. Portanto, a formação de professores é a formação universitária mais importante para qualquer nação e deveria ser no Brasil também. Mas aqui a carreira é pouco atrativa e, no geral, formamos mal os futuros professores, como mostraram o resultados que acabaram de sair do último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes das Licenciaturas: 50% dos estudantes na modalidade EAD não alcançam nem ao menos o nível básico, chegando a 67% na Licenciatura em Matemática. As pesquisas nacionais e internacionais mais sólidas deixam claro que cursos puramente teóricos não bastam para a formação de bons professores. O que funciona é formação ligada ao que o professor realmente ensina, prática com observação em sala, feedback, trabalho em equipe entre docentes e aprendizagem continuada. Um trajeto impossível para o EAD, que hoje ainda abriga 80% de todas as matrículas das Licenciaturas. Daí a obsessão que temos no Todos Pela Educação com a atratividade para a carreira e com a melhoria da formação docente. Estamos há anos denunciando a farra do EAD, que esperamos ser página virada muito em breve. Também defendemos, desde o primeiro documento Educação Já — nosso plano, feito a muitas e plurais mãos, para a educação decolar e sustentar voo em alta altitude —, políticas para atrair alunos com alto desempenho no Enem para as licenciaturas, para a elevação da qualidade desses cursos para que sejam adequados à complexidade da profissão, para a carreira e condições de trabalho de professores da educação básica. Há pouco mais de um mês, lançamos a atualização do Educação Já, com o subtítulo Dois Movimentos, Uma Só Agenda. A proposta é combinar continuidade e aprimoramento: consolidar avanços e enfrentar desafios que ainda limitam os resultados da educação. Na agenda docente, isso significa fortalecer iniciativas como o programa Mais Professores, que busca atrair talentos para a docência, e promover mudanças estruturais, como uma regulação mais efetiva das licenciaturas para induzir cursos de maior qualidade. O documento de 2026 coloca a política docente no centro dessa visão sistêmica. Há muito a ser feito pela educação, de políticas para a primeira infância à educação profissionalizante, mas sem professores bem preparados e valorizados, o voo será sempre muito mais baixo do que o potencial de cada política específica. É preciso mudar radicalmente o valor, energia e orçamento dedicados atualmente às políticas docentes, caso contrário, continuaremos a amargar, a cada divulgação das avaliações externas de aprendizagem dos estudantes, uma frustração que parece eterna. Nesse futuro incerto sabemos que muitos empregos serão varridos do mapa. Mas professores não serão substituídos pela IA, nem por robôs. A profissão de professor oferece algo que máquinas não substituem: o cuidado, a escuta, a mediação humana do aprendizado, o estímulo ao desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças. Jovens podem voltar a enxergar na docência um caminho profissional decente, com alegrias e realizações diárias e de total conexão humana. Não deixemos de olhar para eles. O país precisa investir nas pessoas que fazem a escola acontecer. E, se queremos uma sociedade mais justa e preparada, é aí que o investimento terá o maior retorno. O futuro é traçado em linha reta a partir dos professores. Pois se não estivermos dispostos a melhorar as escolas, estaremos aceitando o fato de que o poder econômico do país vai permanecer bem abaixo do que poderia estar, que a mobilidade social será perto de zero e que seremos sabujos das inovações e do desenvolvimento tecnológico de outras nações.
A linha direta dos professores para o futuro
Se o Brasil quiser crescer, reduzir desigualdades e acompanhar as transformações tecnológicas, precisará colocar a formação de professores no centro de suas prioridades






