Em uma reunião da escola de seus filhos, a pesquisadora de gênero e especialista em consumo feminino Thais Farage, 42, interveio quando uma professora sugeriu pensar em estratégias para controlar a raiva que uma aluna de quatro anos estava sentindo. "Na hora, eu falei: ‘gente, há situações em que temos que ter raiva, deixa a menina’", conta.

Ela mesma diz que, muitas vezes, é considerada brava e não acha isso uma ofensa. Nascida em Montes Claros, no interior de Minas Gerais, e criada na também mineira cidade de Leopoldina, Thais perdeu a mãe quando tinha 14 anos. A partir de então, foi cuidada pelo pai adotivo, pela avó e pelas tias —mulheres bravas, segundo ela.

"Nunca fui ensinada a ser amada por todo mundo. Isso fez diferença na minha vida porque fico tranquila se alguém acha isso ou aquilo de mim", diz.

A pesquisadora afirma que se importa mais com a própria opinião, e foi isso que a fez mudar o rumo da carreira após dez anos trabalhando como consultora de estilo. Até 2022, Thais viajava por várias cidades do Brasil com o workshop "Estilo no Trabalho". Nos encontros, ouvia sempre as mesmas perguntas feitas por mulheres, como: Qual é o comprimento certo da saia? Que roupa devo usar para não ser interrompida nem assediada? E para ter credibilidade?