Um sistema circulatório oculto pulsa abaixo da superfície. Ali, incrustadas, estão densas redes de microrganismos conhecidos como fungos micorrízicos arbusculares. Eles se fixam nas raízes das plantas, enviando filamentos longos e finos através do solo. Transportam água e nutrientes para as plantas e removem carbono, ajudando a manter vastas quantidades dele fora da atmosfera.

Colocados ponta a ponta, esses filamentos se estenderiam por 109 quatrilhões de quilômetros —cerca de 730 milhões de vezes a distância entre a Terra e o Sol, relataram cientistas em artigo publicado no último dia 11 na revista Science.

Coletivamente, os filamentos contêm em torno de 300 megatoneladas de carbono, ou de 4 a 6 vezes mais carbono do que o contido por todos os seres humanos do planeta, de acordo com o estudo.

A equipe internacional que conduziu a pesquisa usou uma combinação de técnicas avançadas, incluindo aprendizado de máquina e um robô de imagem de alta resolução, para medir, prever e mapear o tamanho dessas redes fúngicas em ecossistemas ao redor do mundo.

O estudo revelou redes fúngicas particularmente densas sob as pastagens do mundo, somando-se às evidências de que esses ecossistemas, que tendem a receber menos proteção de conservação do que as florestas, funcionam como importantes sumidouros de carbono.