Investigadores mapearam, pela primeira vez, a rede de fungos subterrâneos que sustenta grande parte da vida vegetal. Estima-se que a camada superficial dos solos do planeta acolha 110 mil biliões de quilómetros de quilómetros — quase mil milhões de vezes a distância entre a Terra e o Sol — de hifas vivas, ou seja, os filamentos fúngicos que estabelecem uma relação vantajosa com a maioria das árvores e plantas.“A Terra contém uma vasta infra-estrutura oculta de redes fúngicas sob nossos pés. Essas redes ajudam as plantas a aceder a nutrientes e transportar carbono para o solo, mas até agora não tínhamos uma ideia clara da dimensão global desse sistema”, explica ao Azul o biólogo Justin Stewart, autor principal do estudo publicado esta quinta-feira na revista Science.Justin Stewart, investigador da Sociedade para a Protecção das Redes Subterrâneas (SPUN, na sigla em inglês) explica que o trabalho traz uma primeira cartografia para compreendermos onde as redes de fungos micorrízicos têm maior densidade, onde estão menos abundantes e, por fim, onde ainda precisamos de obter mais informações.Os fungos micorrízicos estabelecem relações de simbiose com cerca de 70% das espécies de plantas. Nessa parceria, fornecem nutrientes e água às plantas e recebem em troca o carbono produzido pelos vegetais. É por isso que a rede global de fungos subterrâneos desempenha um papel central no ciclo do carbono planetário.“Hoje, mais de 70% das espécies de plantas terrestres dependem de fungos micorrízicos”, lê-se no estudo publicado na Science. Os autores sublinham que “estas redes tubulares transportam cerca de mil milhões de toneladas de carbono por ano para os solos da Terra”, o que ajuda a explicar o papel que têm não só no funcionamento dos ecossistemas, mas também na regulação climática. Estima-se que processem anualmente 11% das emissões de CO2 oriundas de actividades humanas.