Rede oculta sob o solo se estende por 730 milhões de vezes a distância entre a Terra e o Sol 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gotículas de carbono marcadas com fluorescência, em amarelo, fluindo em tempo real dentro da rede de hifas de fungos micorrízicos arbusculares — Foto: Achille Joliot/AMOLF Institute, Shimizu Lab RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 18:55 Estudo revela importância das redes fúngicas subterrâneas no ciclo do carbono Um estudo inovador mapeou uma extensa rede subterrânea de fungos micorrízicos, que desempenha um papel crucial na circulação de carbono do planeta. Esses fungos, conectados às raízes das plantas, ajudam a armazenar carbono e estabilizar o solo. A pesquisa revela que as pradarias, menos protegidas que florestas, são importantes sumidouros de carbono. A investigação destaca a necessidade de proteger essas redes fúngicas essenciais para o equilíbrio ecológico global. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um sistema circulatório oculto pulsa logo abaixo da superfície do planeta. Ali, incrustadas no solo, encontram-se densas redes de microrganismos conhecidos como fungos micorrízicos arbusculares. Esses fungos se fixam às raízes das plantas, enviando longos e finos filamentos através do solo. Estes transportam água e nutrientes para as plantas e absorvem carbono, ajudando a manter grandes quantidades dele fora da atmosfera. Colocados em linha reta, esses filamentos se estenderiam por aproximadamente 730 milhões de vezes a distância entre a Terra e o Sol, relataram cientistas em um novo artigo. Coletivamente, os filamentos contêm aproximadamente 300 megatons de carbono, ou de quatro a seis vezes mais carbono do que todos os seres humanos do planeta, de acordo com o estudo, publicado na revista Science na quinta-feira. Uma equipe internacional de cientistas conduziu a pesquisa, utilizando uma combinação de técnicas avançadas, incluindo aprendizado de máquina e um robô de imagem de alta resolução, para medir, prever e mapear o tamanho dessas redes fúngicas em ecossistemas ao redor do mundo. O estudo revelou redes fúngicas particularmente densas sob as pradarias do mundo, reforçando a evidência de que esses ecossistemas, que tendem a receber menos proteção ambiental do que as florestas, servem como importantes sumidouros de carbono para o planeta. "As pessoas simplesmente não estão prestando atenção a esses ecossistemas", disse Toby Kiers, diretora da Sociedade para a Proteção de Redes Subterrâneas (SPUN, na sigla em inglês) e bióloga evolucionista da Universidade Livre de Amsterdã; ela também foi uma das autoras do novo artigo. "O que queremos fazer com esses dados é realmente lançar luz sobre alguns desses padrões ocultos no subsolo." Mais de 70% das espécies de plantas terrestres da Terra dependem de fungos micorrízicos arbusculares, que — além de transportar nutrientes e armazenar carbono — também ajudam a estabilizar o solo e a proteger as plantas do estresse ambiental. Embora tenha ficado claro que essas redes são tanto críticas quanto vastas, disse Kiers, "não sabemos onde as redes estão muito saudáveis e onde estão ameaçadas". No novo estudo, ela e seus colegas se propuseram a "construir uma imagem melhor" dessa infraestrutura subterrânea, disse ela. Eles começaram compilando dados de centenas de artigos publicados anteriormente, que analisaram coletivamente mais de 16.000 amostras de solo de todo o mundo. Os autores desses artigos já haviam calculado a densidade dos filamentos fúngicos, conhecidos tecnicamente como hifas, nessas amostras. (A densidade foi definida como o número de metros de hifas por centímetro cúbico de solo.) Os cientistas usaram esses dados — juntamente com informações sobre as condições ambientais dos locais onde as amostras foram coletadas — para treinar um modelo de aprendizado de máquina. O modelo então previu a densidade de fungos em locais ao redor do mundo, incluindo aqueles que não haviam sido amostrados anteriormente. Os pesquisadores também fotografaram amostras de fungos cultivados em laboratório com um robô de imagem de alta tecnologia, desenvolvido por Thomas Shimizu, biofísico do Instituto AMOLF em Amsterdã e um dos autores do novo artigo, e sua equipe. O robô capturou imagens de alta resolução das hifas, permitindo que os cientistas determinassem a largura dos filamentos. Em conjunto, esses dados sobre a densidade global dos fungos e a largura de suas hifas ramificadas permitiram aos pesquisadores estimar o comprimento total e a massa dessas redes fúngicas subterrâneas. "Estamos entusiasmados com o número — cerca de um bilhão de vezes a distância entre a Terra e o Sol — porque ele nos dá uma ideia da magnitude, da escala do que estamos observando", disse Kiers. "Mas, para mim, o mais empolgante não é apenas determinar seu comprimento, mas sim representá-lo em um mapa e poder visualizar esses padrões." As pradarias apresentaram densidades de fungos micorrízicos arbusculares maiores do que qualquer outro ecossistema. Entre os locais com maior concentração desses fungos, destacam-se os Everglades da Flórida, o pântano de Sudd no Sudão do Sul e a estepe tibetana. Os resultados não foram uma surpresa total, e pesquisas anteriores já haviam sugerido que os pastos são especialmente ricos em fungos micorrízicos arbusculares. Mas o novo estudo destaca a importância desses ecossistemas em escala global, disse Liz Koziol, ecologista de fungos micorrízicos da Universidade do Kansas, que não participou da pesquisa. "Comparar todos esses conjuntos de dados em todo o mundo é um trabalho incrível", disse Koziol. Os pesquisadores também descobriram que a densidade dessas redes era aproximadamente 50% menor no solo usado para o cultivo de lavouras do que em áreas não cultivadas, embora sejam necessárias mais pesquisas para relacionar as práticas agrícolas à saúde das micorrizas, disse Kiers. De fato, os pesquisadores reconhecem que as descobertas vêm com considerável incerteza e que existem algumas regiões e ecossistemas, como as terras áridas, que são especialmente pouco estudados. Mas Kiers disse esperar que as descobertas da equipe ajudem a fundamentar políticas de conservação e gestão de terras que protejam não apenas a vida acima do solo, mas também as vastas redes de fungos abaixo dele. "Porque acho que, uma vez que se vão", disse ela, "é muito difícil trazê-los de volta".
Sob nossos pés: Estudo mapeia extensão do sistema de circulação de carbono do planeta por meio rede gigantesca de fungos
Rede oculta sob o solo se estende por 730 milhões de vezes a distância entre a Terra e o Sol
Estudo mapeou ~300 megatons carbono em fungos subterrâneos (4-6x humano global) via ML + robótica em 16k amostras. Pradarias são carbon sink crítico menos protegido; sinaliza reajuste urgente de prioridades conservação-agricultura para estabilidade climática.










