Senado aprovou proposta cujo impacto estimativo pelo Executivo é de R$ 140 bilhões em dez anos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Plenário do Senado após aprovar a renegociação de dívidas rurais — Foto: Carlos Moura/Agência Senado RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 22:28 Senado Aprova Medidas com Impacto de R$ 215 Bi e Ignora Governo Lula O Senado brasileiro aprovou medidas com impacto fiscal de R$ 215 bilhões, desconsiderando apelos do governo Lula. A principal delas é a renegociação de dívidas rurais, com impacto de R$ 140 bilhões em 10 anos. O governo, surpreso com a postura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, considera vetar as propostas ou recorrer ao STF. O Senado também aprovou aumentos salariais e aposentadorias especiais, intensificando preocupações econômicas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Palácio do Planalto aposta na proximidade com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e no bom momento da relação do parlamentar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para conter, ao menos por ora, o avanço do projeto de negociação de dívidas rurais aprovado no Senado. A proposta foi aprovada na quarta-feira no Senado, contrariando a equipe econômica do governo, que calcula um impacto nas contas públicas de R$ 140 bilhões nos próximos dez anos. A leitura é que Motta tem feito gestos ao governo, dialogando mais, e que, por isso, tende a acatar um pedido para não avançar com esse tema neste momento. Um parlamentar governista afirma ainda que Motta não deverá comprar nenhuma briga com o Executivo neste momento, ainda mais em ano eleitoral — ele busca apoio de Lula para eleger o pai, o prefeito Nabor Wanderley, para uma vaga ao Senado pela Paraíba. Um aliado de primeira hora de Motta diz que a Câmara não deverá cometer “nenhuma loucura”, indicando que o texto, tal qual aprovado pelos senadores, não deve avançar na Casa. Ele afirma que não há disposição na cúpula de uma postura de enfrentamento ao Planalto neste momento. Apesar disso, auxiliares do governo ponderam que não há garantias concretas de que isso vai se materializar. Um interlocutor da equipe econômica lembra que recentemente a Câmara aprovou a pauta-bomba da “PEC das igrejas” (que amplia a imunidade tributária dos templos), com um custo de até R$ 10 bilhões ao ano (em cálculos mais recentes do governo) e antes avançou em outros temas com alto impacto fiscal, como os benefícios aos agentes comunitários de saúde. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), inclusive, reclamou em conversas de bastidores com representantes do governo que estava sendo pressionado a votar as pautas-bomba porque elas avançaram na Câmara com o aval de Motta. Outro problema é a pressão da bancada ruralista, a maior da Casa em termos setoriais e com alto poder de mobilização e convencimento. Assim, mesmo com alguns integrantes do governo afirmando que o deputado defende o equilíbrio das contas públicas e que seria irresponsável avançar com uma proposta com tamanho impacto, o risco de ele não conseguir ou não querer segurar o andamento do tema não pode ser desprezado. Pauta trancada A favor da estratégia do governo é que a pauta da Câmara está travada por causa do regime de urgência do projeto de lei que foi enviado pelo Executivo para tratar do fim da escala de trabalho 6x1. O Planalto não deve, por ora, recuar dessa urgência, a despeito dos pedidos de Motta. A avaliação é que isso pressiona o Senado para debater o tema, além de impedir o avanço de pautas-bomba na Casa. Nesta quinta-feira, no entanto, Motta sinalizou que o projeto deverá ser analisado na Câmara para destravar a pauta do plenário. Ele designou o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) para relatar o projeto em questão, e a ideia é que seja o mesmo texto aprovado da PEC. Segundo relatos feitos a interlocutores, o presidente da Câmara quer votar o texto na próxima semana. Distanciamento de Alcolumbre Essa proximidade com Motta ocorre num momento de distanciamento com Alcolumbre. Ele se afastou do governo Lula no processo de indicação de Jorge Messias para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF). O Planalto avalia que Alcolumbre orquestrou essa derrota histórica ao governo federal. Nesta semana, ministros do governo se reuniram com o senador e tiveram a sinalização de que ele não avançaria com as pautas-bomba, o que não ocorreu. Nesse encontro, segundo relatos, Alcolumbre pediu um encontro com Lula. O petista sinalizou a aliados que deverá se encontrar com o senador, mas ainda não há uma data prevista. Após a votação no Senado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o governo deverá vetar o texto, caso aprovado na Câmara, e levar ao STF, por considerar inconstitucional a medida. O ministro disse que o custo do projeto não é suportado pelas contas públicas. — Não é suportado pelas contas. Partes do projeto têm que ser revistas na Câmara dos Deputados ou, eventualmente, em veto do presidente da República e, se preciso, a gente vai questionar eventual ação do Congresso que não cumpra a Lei de Responsabilidade Fiscal no Supremo Tribunal Federal. Isso tudo a ser avaliado com rigor, com serenidade e com ampla comunicação, amplo diálogo com o Congresso, que é o que eu sempre tenho feito desde o começo 00 disse. A prioridade da equipe econômica é frear o andamento de pautas-bomba no Legislativo. Apesar das derrotas no cenário, há uma leitura de que é possível evitar complicações nos textos por meio do diálogo e negociação com os parlamentares. Um integrante do governo que despacha no Planalto diz que a orientação é não criticar pessoalmente Alcolumbre, mas buscar o diálogo. Um auxiliar direto de Lula diz ainda que é preciso reforçar que a responsabilidade fiscal é uma atribuição do Executivo e também do Legislativo. Ele diz que há uma contradição no discurso dos parlamentares, que exigem essa responsabilidade do governo federal a todo momento, mas aprovaram três pautas-bombas num único dia no Senado. Governistas enxergam no avanço dessas matérias como um instrumento de pressão de Alcolumbre. Governistas apostam nessa conversa entre Alcolumbre e Lula para contornar os ruídos do Planalto com a cúpula do Senado, pavimentar a votação da agenda de interesse do Executivo e evitar o avanço de demais pautas-bomba. Uma ala do governo, mais pragmática, defende que Lula se reúna com o presidente do Senado para distensionar a relação e garantir a aprovação da agenda do Executivo no Congresso. Outro grupo de aliados, no entanto, diz que o petista não deve se encontrar com Alcolumbre enquanto não houver sinalização positiva do parlamentar e sem o que consideram um comportamento “faca no pescoço”.
‘Pauta-bomba’: Planalto espera que Motta contenha avanço na Câmara de dívidas rurais, mas histórico preocupa governo
Senado aprovou proposta cujo impacto estimativo pelo Executivo é de R$ 140 bilhões em dez anos














