O pintor Benedito Calixto (1853-1927), nome de uma famosa praça em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, foi um artista prolífico e magistral. Seus quadros históricos e de paisagens estão entre os mais belos e bem compostos que se produziram no país entre o final do século 19 e o início do 20. Um dos cenários que explorou foi justamente a cidade, por encomenda do Museu Paulista ou Museu do Ipiranga, então dirigido por Afonso Taunay, com quem manteve correspondência.

Acadêmico, Calixto fez uma série de quadros sobre a capital, vários deles baseados em fotografias de Militão Augusto de Azevedo. Suas telas buscavam perpetuar os vestígios da São Paulo colonial, com construções baixas, longas perspectivas e torres de igrejas, mas também pintou vistas panorâmicas esplendorosas, como a da "Inundação da Várzea do Carmo", de 1892, obra que lhe deu notoriedade. Nela, Calixto mostra sua potência figurativa e exibe com riqueza de detalhes uma paisagem frequente naquela época, a das cheias no rio Tamanduateí.

Nascido no município de Itanhaém, Calixto começou como autodidata e seu primeiro ofício foi o de marceneiro. Posteriormente, quando já tinha ganhado fama, estudou na Académie Julian, em Paris, bancado pela Associação Comercial de Santos, onde realizou a parte mais importante de sua obra.