Mostra no Centro Cultural Fiesp reúne esculturas, documentos e fotografias para revelar como a imagem indígena atravessou a trajetória de um dos principais nomes do modernismo brasileiro Exposição de Victor Brecheret, 11 de junho, no Centro Cultural Fiesp (CCF) — Foto: Arquivo Pessoal Há décadas que as esculturas monumentais de Victor Brecheret pontuam a paisagem de São Paulo. O Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera, é talvez o mais conhecido. Mas há uma camada da produção do escultor que permanece menos visível ao grande público: aquela em que a figura indígena deixa de ser referência e se torna linguagem. A partir de 11 de junho, o Centro Cultural Fiesp apresenta, pela primeira vez em São Paulo, a exposição "Victor Brecheret: A Imagem Indígena como Símbolo de Brasilidade". Com entrada gratuita e visitação até 30 de agosto, a mostra propõe um olhar sobre a fase final da obra do artista, quando as culturas indígenas passaram a orientar de forma mais intensa sua busca por uma representação autenticamente brasileira. Brecheret nasceu na Itália, em 1894, mas assumiu ao longo da vida uma identidade profundamente brasileira. Ligado à Semana de Arte Moderna de 1922, foi uma das figuras centrais do modernismo no Brasil. A exposição não abandona esse contexto, mas propõe uma leitura que vai além do marco histórico: interessa-lhe compreender como a construção da brasilidade passou, na obra de Brecheret, pelo encontro com as populações originárias do país. O percurso da mostra reúne esculturas, desenhos, fotografias e documentos. Entre os destaques está "Acalanto de Bartira", também conhecida como "Mulher Deitada na Rede", considerada uma das obras mais emblemáticas do artista e síntese de sua trajetória. A peça concentra elementos centrais de sua produção: a busca por uma representação ao mesmo tempo sensível e universal do corpo e da identidade brasileira. Os trabalhos da chamada fase indígena foram desenvolvidos paralelamente às expedições realizadas ao Brasil Central na década de 1940, período em que diferentes culturas indígenas passaram a ganhar maior visibilidade no país. Relatos transmitidos pelo rádio, por cinejornais e pela imprensa ampliaram o horizonte do escultor e sugeriram novas possibilidades plásticas. Desenhos produzidos na época testemunham esse impacto e registram etapas do processo criativo que precedeu as esculturas. "Essa exposição convida o público a revisitar Victor Brecheret a partir de um olhar mais humano e contemporâneo, entendendo como a imagem indígena atravessou sua obra e sua visão sobre a construção da identidade brasileira", afirma Fernando Brecheret, diretor do Instituto Victor Brecheret. A curadoria é assinada por Maria Izabel Branco Ribeiro, em parceria com o Instituto Victor Brecheret, presidido por Victor Brecheret Filho. Mais do que um exercício de memória, a exposição coloca questões que permanecem abertas: o que é brasilidade, quem a representa e quem, historicamente, ficou fora dessa representação. Em 2025, essas perguntas ganham novos contornos e tornam o olhar sobre Brecheret inevitavelmente contemporâneo. Centro Cultural Fiesp Serviço Visitação: 11 de junho a 30 de agosto. Endereço: Espaço de exposições - Avenida Paulista, 1313 (em frente à estação de metrô Trianon-Masp) Funcionamento: terça a domingo, 10h às 20h Entrada gratuita: não é necessário fazer reserva para conhecer a exposição Agendamentos de grupos e escolas: ccfagendamentos@sesisp.org.br Instituto Victor Brecheret O Instituto Victor Brecheret (IVB), fundado em 1999, atua na preservação, pesquisa e difusão da obra do escultor Victor Brecheret e no incentivo às artes visuais e à cultura brasileira. A instituição desenvolve exposições, projetos culturais, pesquisas, publicações, ações educativas e iniciativas de documentação e catalogação artística, além de promover intercâmbios culturais e parcerias com organizações públicas e privadas no Brasil e no exterior. O IVB também realiza trabalhos de certificação e preservação de acervos, contribuindo para a valorização do legado de Brecheret e da arte brasileira. Sobre o SESI-SP O SESI-SP oferece atividades culturais gratuitas em linguagens como música, artes cênicas, artes visuais, audiovisual e difusão literária. Juntas, as atividades promovidas já alcançaram a marca de quase 20 milhões de pessoas. São 19 teatros, sete centros culturais, oito espaços de exposição, três estações de cultura, 95 núcleos para iniciação e formação de pessoas nas áreas de música, teatro, dança e circo, além de uma unidade móvel que percorre todo o estado. Em 2026, mais três teatros e três centros culturais devem ser inaugurados. A entidade reforça seu compromisso de oferecer ao público uma programação diversa, contundente e sempre gratuita, alinhada aos aspectos sociais e artísticos da contemporaneidade. Também de atuar na área de produção cultural, impulsionando a economia criativa e contribuindo para o aperfeiçoamento artístico. Em 2024, a instituição comemorou seis décadas de história, cultura e inovação de um de seus mais importantes projetos de democratização do acesso à cultura: o Teatro do SESI-SP, palco de espetáculos marcantes ao longo das últimas décadas. Sobre o Centro Cultural Fiesp A arquitetura moderna do edifício Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, sede da Fiesp, que também abriga o SESI, o SENAI São Paulo, o Ciesp, e o Instituto Roberto Simonsen (IRS), o torna ponto de referência no skyline da cidade e permite a realização de inúmeras atividades que integram o Centro Cultural Fiesp à Avenida Paulista, incluindo a livre circulação em seu interior e o uso de espaços alternativos, como a área externa e o foyer do Teatro do SESI-SP, para diferentes manifestações artísticas e culturais que surgem em sua ampla e diversificada programação. O Centro Cultural Fiesp é um importante equipamento de acesso à cultura mantido pela indústria paulista e administrado pelo SESI-SP; uma referência de qualidade e patrimônio cultural apreciado dos paulistanos. O SESI-SP é uma instituição que trabalha pela educação, onde a cultura é parte fundamental. Todas as ações e projetos desenvolvidos pela instituição tem como objetivo a formação de novos públicos em artes, a difusão e o acesso à cultura de forma gratuita, além da promoção da economia criativa nacional. Planin - Assessoria de Imprensa Beatriz Imenes, Eduarda Lopes e equipe - www.planin.com Contato: Mariana Fridman Tel.: (11) 2138-8940 | Cel.: (11) 99513-3591
Exposição inédita em São Paulo revisita a fase indígena de Victor Brecheret e interroga o que significa brasilidade na arte
Mostra no Centro Cultural Fiesp reúne esculturas, documentos e fotografias para revelar como a imagem indígena atravessou a trajetória de um dos principais nomes do modernismo brasileiro












