Exposição em cartaz no Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, apresenta obras do artista baiano Alberto Pitta para homenagear o legado de Emanoel Araujo, fundador do museu e um dos principais articuladores da presença da arte afro-brasileira nas instituições culturais do país e do mundo.

Na mostra "Um Xirê Para Emanoel", aberta ao público até 26 de julho, os relevos geométricos dos trabalhos do homenageado se aproximam das cores, tecidos e signos africanos presentes na produção de Pitta. Em outro ponto da mostra, bonecas abayomi criadas por Mãe Detinha de Xangô, artista e sacerdotisa baiana, introduzem dimensões de cuidado e ancestralidade.

O percurso foi concebido como uma roda em que diferentes criações celebram a herança de matriz africana presente na obra dos três artistas.

Conhecido pelos tecidos e trabalhos criados para blocos afro do Carnaval de Salvador, Pitta apresenta obras que deslocam sua produção das ruas para as galerias e museus. "Eu tiro dos panos de bloco e trago para as telas", afirma o artista. As pinturas reunidas na exposição atravessam referências aos orixás, aos terreiros de candomblé e a outros símbolos da religiosidade afro-brasileira.

O título, sugerido pelo próprio Pitta, faz referência ao candomblé. O xirê é um termo com origem iorubá que significa roda ou dança. Na religião de matriz africana, o xirê é um momento de celebração em que os orixás são saudados e recebidos em uma roda pelos fiéis.