No começo da noite da última segunda-feira, encontrei-me com Bruna Barros, ilustradora da coluna. Fazia tempo que queria conhecer seu apartamento, numa esquina da rua Helvétia entre a avenida São João e praça Princesa Isabel. Cruzei na portaria com um anão que, disse ela, é campeão de pingue-pongue.

Seu pai veio de Timóteo, no interior de Minas, para ajudá-la na reforma. A aporrinhação durou meses, mas o apartamento está um brinco. Tem um terracinho, estúdio, plantas e pássaros que ela desenhou nas paredes. Cobicei uma onça artesanal da Ilha do Ferro.

Fiquei meio surpresa com o convite do Mario para jantar. Apesar de nos falarmos toda semana, havia mais de um ano que não nos víamos. Como a mensagem chegou justamente no meio de uma crise existencial, de cara sentenciei: vixe, tá me chamando para dizer que não gosta mais dos meus desenhos. C’est la vie…

Passa aqui em casa, você conhece o apê e depois descemos para caminhar —respondi no WhatsApp. Já que vai me demitir, aproveita e me conhece direito, né, concluí com meus botões.

Ele trouxe pó de café de presente. Aonde quer ir? perguntou. Depois de nove anos trabalhando juntos, está claro que dos restaurantes que ele gosta não passo nem perto. Sugeri aquilo que mais gosto: "fare una passeggiata", passear pela energia caótica e multicultural do centro de São Paulo. O caminho nos levaria a algum lugar para comer.