Os encontros no palacete de dona Olívia Guedes Penteado (1872-1934), na esquina das ruas Conselheiro Nébias e Duque de Caxias (hoje avenida), no bairro Campos Elíseos, foram os mais badalados e frutíferos de São Paulo na década de 1920.

Por ali circulavam escritores como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti del Picchia e o suíço Blaise Cendrars, artistas plásticos como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Lasar Segall e Victor Brecheret e compositores como Heitor Villa-Lobos.

Olívia ficou para a história como uma das principais incentivadoras do modernismo no Brasil. Fez o que pode para estimular a chama criativa dos novos talentos locais. Criou um ambiente fértil para a troca de informações e a revolução estética.

Especialmente para receber seus convidados, instalou um pavilhão na antiga cocheira de seu palacete. Chamado de salão moderno, tinha o teto pintado por Segall e funcionava como um espaço de convivência e debates para os artistas e intelectuais, muitos deles participantes da Semana de 1922. Nele, Olívia também expunha seu acervo pessoal de telas, desenhos e esculturas, que incluía obras de Pablo Picasso e Fernand Léger.

Olívia fez o pavilhão porque considerava que sua mansão em estilo clássico, construída por volta de 1900 com projeto do arquiteto Ramos de Azevedo, não era adequada para a turma modernista e destoava da nova arte que ela procurava promover.