Em meados de 1986, o cartunista Jaguar me fez uma proposta que parecia impossível recusar: comandar uma franquia paulista de O Pasquim. A sugestão vinha de Fernando Gasparian, meu ex-chefe no Opinião. Para quem crescera lendo o histórico tabloide carioca, dizer não estava fora de cogitação.
Assim nasceu o Pasquim São Paulo, tendo Dante Mattiussi, então chefe na TV Record e meu sócio numa produtora a bordo também. Na prática, quem tocou o jornal no dia a dia foi o jornalista gaúcho Manoel Canabarro, meu cunhado, porque Dante e eu seguimos em nossos empregos. O semanário circulou por 56 semanas, entre 3 de julho de 1986 e 6 de agosto de 1987.
O jornal nasceu num instante raro. O governo Sarney vivia o auge do Plano Cruzado, o Brasil se preparava para eleger a Assembleia Nacional Constituinte e respirava os primeiros ares da redemocratização após 21 anos de ditadura. Não criamos uma “patota” coesa como a do original carioca, mas garimpamos elenco de respeito: Alberto Dines, Augusto Nunes, Fernando Morais, Mino Carta, Audálio Dantas, os cartunistas Angeli, Laerte e Jaguar, o compositor Aldir Blanc, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo e o músico Roger do Ultraje a Rigor, entre muitos outros.
















