Em meados de 1985, a implantação do Projeto Folha fazia do jornal um ambiente de ebulição. Com Otavio Frias Filho à frente da Redação, a Folha adotava novos procedimentos, que buscavam tornar o jornal mais objetivo, conciso e plural, entre outras metas.
Durante uma reunião, Carlos Eduardo Lins da Silva, então secretário de Redação, lançou uma provocação ao sociólogo Antonio Manuel Teixeira Mendes, o primeiro diretor do Datafolha, instituto de pesquisas que havia sido criado dois anos antes. Como os norte-americanos fazem com basquete, beisebol e outros esportes, a gente não consegue extrair as estatísticas do futebol?, questionou o jornalista.
Teixeira Mendes aceitou o desafio. Determinou que uma equipe do Datafolha –pelo menos cinco pessoas nesse momento inicial, ele lembra– começaria a ser treinada para contabilizar os fundamentos não apenas de cada time durante uma partida, mas de cada jogador. Os pesquisadores registrariam o número de chutes e cabeceios a gol, passes, cruzamentos, dribles, faltas e outros tantos quesitos.
Depois de alguns testes, chegou a hora de levar as estatísticas para as páginas do jornal. A estreia aconteceu nos dois jogos da final do Campeonato Paulista de 1985, o duelo entre São Paulo e Portuguesa, marcados para os dias 15 e 22 de dezembro.







