Toda sexta-feira, a caminho de sua casa, meu pai fazia a parada obrigatória numa banca de jornal. Eu tinha direito a três revistinhas, minha irmã a outras três. Durante o fim de semana, acabando de ler a cota pessoal, trocávamos. Em época de álbum, a parada ficava ainda mais emocionante. Vez ou outra, até conseguíamos emplacar uns Plocs, Ping Pongs ou Bubbaloos.
Essas memórias voltaram na última terça, ao receber um áudio. "Amigo, aqui é o Maurício, da Banca Maranhão, em frente à Padaria Aracaju". Maurício tinha meu contato por conta de um cupom preenchido durante a Copa – atingindo tantos reais em figurinhas, você concorria a um Playstation 5. "Tô vendendo a banca. Se você tiver interesse ou conhecer alguém que tenha, dá um toque".
Eu não sabia, até a última terça, mas eu tinha muito interesse. Não sabia, mas trazia dentro de mim um jornaleiro adormecido (em algum mundo paralelo existe uma versão de "A fantástica fábrica de chocolate" em que Willy Wonka, em vez de levar as crianças através de rios de leite, açúcar e cacau, abre caminho com seu facão por selvas de quadrinhos, revistas, figurinhas, jornais e chicletes Ploc).
Respondi perguntando o preço. Era alto, mas possível. Arrepiei. Pude ouvir um neurônio gritando pros outros, lá no fundo do cérebro, como o atendente do balcão fazendo o pedido pro pessoal da cozinha numa casa de sucos do Rio de Janeiro: "desce endorfina! Solta noradrenalina! Alô dopaminaaaaa!".







