Faço uma pausa nas crônicas mundialinas para constatar, perplexo e babão, que virei pai de uma adolescente.

Neste sábado, 4 de julho do ano da graça de 2026, minha filha O. fez 13 anos. "Absolute teen" – para usar um meme que ela me apresentou e tenho certeza de que estou usando errado.

Se quisesse me manter no clima da Copa diria que é uma pausa para hidratação, mas sabemos que a razão para as interrupções dos jogos não vem do grego "hydra", mas do latim "argentum", prata — e se vamos falar de prata, que seja da minha Pratinha. Pratona? Prateen? (Desculpa, O., a piada de tio do pavê, que às vezes você me acusa de fazer).

Chamo-a de O. não por alimentar veleidades de escritor tcheco do século passado, mas porque O., agora adolescente, já é dona do próprio nariz, o que lhe confere, entre outros direitos legitimamente adquiridos, dar seus pitacos sobre o que esse pai pode –deixá-la dormir sem adultos com as amigas na sexta pré-aniversário– e não pode –escrever crônicas revelando suas intimidades.

Descobri que não poderia mais compartilhar minhas perplexidades e babonices há pouco mais de um mês. Era sábado e a levava para uma festa. Preocupado, pela primeira vez, com álcool e drogas, disse com a voz embargada, na marginal Tietê, que até outro dia o risco era ela comer uma peça de Lego ou bater a testa na quina da mesinha de centro.