Ao contrário da Tamara Klink, que pediu para não comprarem o livro dela, eu peço para comprarem os meus. Deem de presente, façam posts, indiquem aos amigos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estantes da Livraria da Travessa, no Shopping Leblon — Foto: Marcia Foletto Eu estava com o Mário Prata no bar Balcão em São Paulo quando um homem se aproximou. Saudou o Prata como devia, cheio de admiração. Conversaram um tanto com o homem sequer me notar. Dali a pouco o Mário diz: — Essa é a Martha Batalha. Cronista do GLOBO e escritora do Rio de Janeiro. O homem me olhou confuso, talvez pelo excesso de novas informações. Tentando absorver a existência de uma cronista, de um jornal e de um singelo balneário longe da Paulista. A cena me lembrou o Luis Fernando Verissimo, que dizia ter quatro leitores. Fiz uns cálculos e deduzi que nenhum dos meus dois era de São Paulo. Eis que amanhã eu estou de volta a Sampa para lançar meu livro de crônicas, “O algoritmo sou eu”, na Livraria Martins Fontes da Paulista. Como os antecedentes não são promissores, eu decidi fazer um pedido: Vocês têm uma tia? Um primo de segundo grau vivendo por lá? Serve enteada. Mandem por favor um zap, avisem sobre o lançamento. Se a gente se cotizar os paulistas vão interromper a robusta participação no PIB para a breve interação com esta criatura peculiar, a cronista carioca. Verdade que estou falando com a barriga cheia — de felicidade — depois do lançamento no Rio. Lotou, e me emocionei com tantas pessoas dizendo que começavam o dia lendo meu texto. A vida de uma escritora é definida pela solidão. Sem a porta fechada para o mundo nada se cria. Nos lançamentos a porta se abre, e os leitores antes abstratos se materializam com olhos de afeto. A cada elogio o meu braço se arrepia, eu me sinto a mulher poderosa que eles veem, em vez da escritora frustrada, escrevendo a conta-gotas e tratando ansiedade com biscoito (esta coluna tem o apoio psicológico de um pacote de Goiabinha e meia caixa de Bis). Os pontos são: há muitos leitores por aí (obrigada). O Verissimo era ruim de matemática. E, diferentemente da Tamara Klink, que pediu para não comprarem o livro dela, eu peço para comprarem os meus. Deem de presente, façam posts, escrevam resenhas positivas, indiquem aos amigos. Apoiem meu projeto de fazer algo relevante e bonito. Elogios, assinatura de jornal e livros vendidos abrem meus chacras da escrita e eu retorno com um texto potente. Vocês só veem a escritora maquiada autografando exemplar, não veem a que digitou por dois dias cinco mil palavras para usar 600 na coluna, ao lado de um pacote vazio de Goiabinha. Escrever é um privilégio, mas não é fácil. E, se for para consumir menos, comecem cortando a Temu. Mas, voltando. À minha irrelevância em terras paulistas. Para a efetiva cooptação local ofereço este roteiro: tem livro novo da Martha, você diz para sua tia no zap. Ah, eu adoro a Martha Medeiros, sua tia dirá. É a outra, você esclarece. Tem outra?, sua tia pergunta. Ignore e emende num olha, o Bookster vai estar lá. Pois é. O Bookster, Pedro Pacífico, estará conversando comigo. Nós somos uma espécie de roommates do GLOBO, dividimos o mesmo espaço em quartas-feiras alternadas. Ele é um colega de respeito. Inclusive quem veio na quarta errada achando que era ele e chegou até aqui, já era, também lhe considero meu leitor. É o de hoje, minha gente. E até amanhã na livraria. Eu já fiz minha parte e consegui um paulista. O Mário disse que vai.
Eu, a famosa quem?
Ao contrário da Tamara Klink, que pediu para não comprarem o livro dela, eu peço para comprarem os meus. Deem de presente, façam posts, indiquem aos amigos







