Megaexposição do pintor paulista em Pequim coroa momento de sintonia sem precedentes entre Brasil e China João Candido Portinari e 'Mestiço' no Museu Nacional da China — Foto: Marcelo Ninio/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/06/2026 - 17:18 Exposição de Portinari em Pequim: Fortalecimento Brasil-China A megaexposição de Candido Portinari em Pequim simboliza a crescente sintonia entre Brasil e China. A mostra, realizada no Museu Nacional da China, reflete o fortalecimento dos laços culturais e políticos entre os países, destacando a relevância da arte brasileira fora do eurocentrismo. A exposição, parte do Ano Cultural Brasil-China, reúne 56 obras emblemáticas, superando desafios logísticos e burocráticos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O público chinês tem a partir de hoje a chance inédita de mergulhar na obra de um dos maiores artistas do Brasil. Com a megaexposição do pintor Candido Portinari em Pequim, a sintonia política e econômica estabelecida entre os dois países nos últimos anos ganha uma potente identidade visual, com uma cara bem brasileira no coração da capital chinesa. O local escolhido não poderia ser mais icônico: Museu Nacional da China, na Praça da Paz Celestial, um dos mais visitados do mundo. “Porque é o momento”, repetia João Candido Portinari, filho do artista, enquanto acompanhava a montagem da exposição na última sexta, visivelmente emocionado. Trazer as obras do pai à China era um sonho antigo, que precisou vencer desafios logísticos, burocráticos e de financiamento. O momento chegou. Ajudou ter coincidido com um momento de hiperatividade na relação Brasil-China. No mesmo dia em que “O Brasil de Portinari” é inaugurado em Pequim, nada menos que cinco delegações brasileiras têm atividades diversas na capital — de leilões de ferrovias a encontros com procuradores. A reta final para a eleição de outubro acelerou o ritmo já frenético das visitas oficiais brasileiras à China, nem sempre inteiramente justificáveis. Na lua de mel entre os dois países, a arte virou cereja no bolo. A exposição de Portinari é um dos pontos altos do Ano Cultural Brasil-China, mais um elo na nova parceria estratégica. Mas vinha sendo batalhada muito antes. Responsável pelo Projeto Portinari, que catalogou mais de 5.200 obras do artista, João Candido encara a primeira exposição de seu pai na Ásia como missão. Sempre quis levar Portinari “para fora do eurocentrismo”. A busca por uma visão além da zona de influência ocidental é algo que interessa a João Candido — “aqui não vão olhar de cima para baixo para a nossa arte”. A expectativa é de sintonia estética, com um pincel que retrata com compaixão e dignidade a gente mais humilde, mas também afinidade ética, a partir das convicções de Portinari. Um dos marcos desse lado do artista é a palestra “O sentido social da arte”, proferida na década de 1940 em Buenos Aires. “Portinari foi militante comunista até seu último suspiro”, diz João. Na concepção original, a mostra em Pequim teria mais obras do que as que estarão no Museu Nacional da China até 10 de outubro. Mas os limites do orçamento —agravados pelos custos de transporte salgados da guerra no Irã — enxugaram o número para 56. Ainda assim, João Candido comemora a luz verde de tantos acervos privados que permitiu formar um conjunto único — “nunca houve uma exposição com tantas obras emblemáticas” — incluindo algumas das mais famosas, como “Mestiço”. Mas não vingou a ideia de exibir os painéis da obra “Guerra e Paz”, que estão na sede da ONU, em Nova York. Para que pudessem viajar até a China, era necessário o aval do governo brasileiro, que não veio. O jeito foi substituí-los pelas maquetes da obra, que estão no gabinete do chanceler em Brasília. Mas até isso foi dureza. O Itamaraty impôs “uma lista impossível de exigências” para fazer o empréstimo, conta João Candido. A exposição ficou por um fio, até que o impasse foi resolvido na última hora. Era uma exigência do museu, mas também do momento atual, considera ele. Com as duas outras potências em guerra, ficou para a China o papel de fiador da paz, conclui.
Portinari aterrissa no coração da China
Megaexposição do pintor paulista em Pequim coroa momento de sintonia sem precedentes entre Brasil e China









