Por vezes fico com a sensação de que falar sobre direitos das pessoas com deficiência é a coisa mais entediante do mundo.

Não porque eu seja contra algum direito das pessoas com deficiência, grupo no qual eu me incluo. O que faz muito da conversa ser pouco produtiva é a gente ter de ficar falando, lendo e escrevendo sobre o que deveria ser óbvio, tamanho o desconhecimento e o desinteresse generalizado pelo tema.

Se não houvesse essa indiferença ao básico, ninguém precisaria explicar que, para que pessoas com deficiência transitem pela cidade com segurança e independência, é fundamental que existam calçadas decentes, piso tátil e semáforos sonoros.

Mas a gente segue aos trancos e barrancos com essas vias que nos colocam em risco e temos de ficar reivindicando o direito de ir e vir, com avanços a passos de tartaruga. Que chatice.

Se o capacitismo não fosse tão disseminado, ninguém ia precisar ficar explicando que o papel da escola é educar. E isso significa que adaptar estratégias para quem tem uma forma diferente de acessar ou compreender um conteúdo é um dever, não um problema, como dizem de vez em quando algumas autoridades retrógradas. E vamos de palestra para pedir o básico. Haja paciência.