Houve um tempo, bem pouco distante, que o "não aceito" para uma diferença marcante, sobretudo à neurodivergência, era muito mais angustiante e bem menos polêmico que o atual caso de um casal de influenciadores norte-americanos que decidiu interromper a gestação de um feto com síndrome de Down.
Era não para a escola, não para o lazer, não para qualquer tipo de formação laboral, não para relacionamentos, não para o convívio social, não para aproveitar a vida do jeito que quiser. As dores do acumulado de rejeições eram todas das pessoas com deficiência intelectual e seus queridos, as repercussões silenciadas, tidas como "é assim mesmo".É nesse cenário de rusticidade de ser gente que dona Jô Clemente, minha conterrânea sul-mato-grossense resolve fazer um movimento contrário. Ela, há 65 anos, escancarava portas ao diverso, ao se manifestar diferente, a ver as coisas em outra perspectiva, em acreditar que o existir tem múltiplas formas, inclusive cromossômica.
Ao fazer um século neste mês, sendo 65 anos dedicados, com ênfase, às relegadas deficiências intelectuais, ela sinaliza ao mundo com contundência, principalmente por meio dos múltiplos trabalhos do instituto de vanguarda que leva seu nome, que não faltam instrumentos para provar que todos podem o que bem-quiser.










