É uma palavra que pode soar estranha e sem um sentido imediato, mas que carrega a expectativa e o desejo de vivermos em uma sociedade mais justa —em específico, socialmente mais justa para pessoas autistas e com condições como TDAH, dislexia, discalculia, dispraxia, transtorno de aprendizagem não verbal ou questões de processamento sensorial ou de função executiva.

Ainda que exista uma reivindicação de construção coletiva, a história registra que o termo neurodiversidade foi sistematizado, no final dos anos 1990, pela socióloga australiana Judy Singer.

Em diversas entrevistas, Singer falou sobre a mãe, uma mulher que sobreviveu ao Holocausto e deixou a cosmopolita Budapeste da época por Brisbane, na Austrália. Segundo a socióloga, a mãe soava como uma pessoa preguiçosa, não conseguia trabalhar e simplesmente não se encaixava socialmente no novo país. E o motivo de ela ser assim, continua Singer, parecia ir além do trauma pessoal e da condição de marginalidade em que viviam na Austrália.

Depois que a própria filha nasceu e apresentou características que também destoavam do padrão, segundo conta, ela finalmente compreendeu que estava diante de três gerações de mulheres dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA): a mãe, ela mesma e a filha.