Para chegar em Tânger, onde iriam encontrar Mick Jagger e Marianne Faithfull, Anita Pallenberg e Keith Richards atravessaram o estreito de Gibraltar numa balsa, levando o Bentley empoeirado com que viajaram pela França e Espanha. Lá, hospedaram-se no suntuoso El Minzah. Fundado em 1930, o hotel tem um bar de vinhos com as paredes pintadas de vermelho e um de coquetéis, onde a dupla dos Rolling Stones teria experimentado o piano de cauda em frente ao balcão.

Àquela altura (1967), Marrocos era um destino com aura boêmia entre europeus e estadunidenses à busca de aventuras —e isso não só por conta do filme "Casablanca". A onda começou 20 anos antes, quando o escritor e compositor Paul Bowles foi morar em Tânger e viajou pelo Saara para escrever "O Céu que Nos Protege", clássico pré-beatnik, depois filmado por Bertolucci.

Os beats passaram a visitar a cidade do mestre e amigo. Allen Ginsberg, William Burroughs, Gregory Corso, mas também Truman Capote e Tennessee Williams. Além de exotismo e da música hipnótica (ouça The Master Musicians of Jojouka), Tânger oferecia sexo e drogas com certa liberdade. Era um lugar de escape, sem polícia, advogados e editores para importunar.

Tomavam chá de hortelã, a bebida tradicional do país, também chamada ironicamente de uísque berbere, e fumavam kif e haxixe —eventualmente se embriagavam com vinho ou gim tônica, em meio a espiões, diplomatas e comerciantes estrangeiros.