Quando escolas filosóficas entram na moda, temos como consequência dois fenômenos. O primeiro, negativo, é o uso abusivo de ideias tiradas de contexto e utilizadas como algum tipo de ferramenta motivacional. Penso que a categoria de conteúdo motivacional é uma das misérias do pensamento em nosso tempo. Viciante, move toda uma economia de ideias empobrecidas a serviço da ignorância e da mentira sistemática.

O segundo, positivo, é a possibilidade de que a escola filosófica que "entra na moda" possa despertar em almas mais consistentes o interesse pela filosofia que está em questão. A escola filosófica à qual me refiro neste artigo é o estoicismo.

O filósofo espanhol, autor do grande dicionário de filosofia que carrega seu sobrenome, José Ferrater Mora, afirma no verbete "Estoico" que o estoicismo se caracteriza por ser uma "constante estoica". Esse fato pode ser responsável, em grande parte, pelo seu sucesso entre o senso comum e, mesmo, no uso empobrecido, quando essa constante se despedaça no discurso motivacional.

"Constante estoica" significa que o estoicismo fala com todos nós, independente da época em que vivemos, principalmente, se levarmos em conta o fato que os verdadeiros estoicos viveram na Grécia e em Roma entre os séculos 4º a.C., com seu fundador Zenão de Cítio, em Atenas, e seguiu até o século 2º d.C. em Roma, com o imperador filósofo Marco Aurélio.