Adquirir informação tem custo financeiro, de tempo e de empenho. Por isso, ler, ouvir, estudar, pesquisar, debater são atividades que desencorajam a maioria das pessoas quando se trata de formular opiniões acerca da quase todos os assuntos.
Há formas de economizar. Uma é aderir a um sistema de crenças, preferências ou princípios que define, de antemão, o que se deve pensar sobre isso e aquilo. Aderir a uma torcida de futebol, a uma religião, a uma ideologia, a um partido, a uma doutrina econômica, a uma bolha de valores, etc. facilita o posicionamento.
Não há que se informar, estudar, ponderar, analisar e então extrair decisões. É só reproduzir o pacote, dele sacar qualquer carta e jogá-la na mesa. Será sempre algo que faz sentido para quem fala e para muitos dos que ouvem. Além disso, reforçará identidades individuais e grupais e ainda poderá angariar novas adesões.
Na economia, por exemplo, o mantra é: há muito gasto, muitos servidores, é preciso ter superávit, diminuir o Estado e "fazer a lição de casa" para que tudo funcione perfeitamente. O barateamento da informação ocorre nos dois lados: para quem fala, porque basta repetir o credo sem questionar a profissão de fé, e para quem ouve, porque aquilo, ouvido tantas vezes, deve fazer sentido. Pronto, a catequese indireta funcionou.








