Plugados diariamente na internet, milhões de brasileiros passam horas se comunicando, buscando informações e se divertindo. Em 2025, segundo a pesquisa TIC Domicílios, 86% da população com dez anos ou mais estava conectada. O avanço tem sido rápido e contínuo.

Se os benefícios da web são inegáveis, os riscos também são cada vez mais visíveis. Incluem a produção e difusão de mentiras e informações incorretas, golpes financeiros e o uso compulsivo do telefone celular.Mas, entre os problemas, a manipulação algorítmica de sentimentos como a raiva e o medo não tem merecido a devida atenção. Pesquisas realizadas na Europa indicam que ao amplificar conteúdos que causam irritação ou amedrontam, as redes sociais obtêm mais atenção e engajamento.

Ao dificultar a distinção entre o que é fato e ficção, conteúdos criados com recursos de Inteligência Artificial Generativa (IAG) complicam ainda mais as coisas.

Nosso déficit educacional também agrava este quadro. Também em 2025, o Índice de Alfabetismo Funcional (Inaf) indicou que apenas 10% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são proficientes em leitura, interpretação de textos e cálculos matemáticos elementares. Já a pesquisa Retratos da Leitura mostrou que entre 2015 e 2024 houve uma redução de 11 milhões de leitores de livros de qualquer gênero, tanto no meio impresso como online.